domingo, 9 de maio de 2010

Sabe Lá Bem (SLB)


Não escrevo aqui porque... porque não escrevendo não sofro tanto. De uma uma atitude e boa disposição, a mexer-me, sem pensar ou querer sequer pensar em ti, fui andando o meu caminho.

O filme do jornal (estou de novo despedida mas se calhar não...), a lua cheia, a copofonia, comover-me e chorar quando um homem entrou dentro de mim, uma paragem de digestão que me deitou por terra durante 3 dias, saber logo de seguida que andas por ai a foder, tal e qual como o adolescente que fazes questão de ser, porque ainda não tinhas sido. Ver-te, em tua casa, tu defendido pela presença do amigo comum.... tudo isto deitaram-me abaixo, roubaram-me energia e fé. Fujo paras as brincadeiras perigosas e toco-me até à exaustão.

Mas apenas perdi de vista o que está em vista. E tenho tido reencontros com pessoas que gosto, da minha área, e mais umas pequenas coisas. E a presidente preferida vai dar-me uma data. Tem de dar. E todo este sentimento que me traiu de novo por ti, vai passar.

Por isso mesmo é altura de um novo blog. Que não fale de nós, menos de mim, e mais das pessoas lindas que fazem parte da minha vida. Histórias minhas, é certo, mas com os outros.

Talvez volte aqui para uma recaída ou outra. Mas neste momento para além da vidinha pela frente, quero um amigo colorido. Apetece-me foder. Apetece-me sempre. Penso nunca te ter dito que não me apetecia. E acabei de descobrir que não dá com estranhos. Nem contigo que foges de mim como o Diabo da cruz. Tenho efeito em ti não tenho? Estou para aqui às 5 da manhã com uma insónia a pensar como te foder sem te dar hipótese de resistires.

Bom, já chega de ti. Hoje o Benfica sagrou-se campeão!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

humm

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sem nós alguns

Fazes anos, hoje dia 21 de Abril. Trinta e cinco. Não te vou dar os parabéns nem por telefone, sms ou face. Quero-te bem, mas quero-te longe de mim, sem saberes de mim.

Boa a sensação de estar centrada em coisas que ando a fazer. Assusta-me sentir acelerar um pouco. Mas, há coisas feitas e ideias de coisas para fazer. Há um convite à espera. Há também um jornal à beira de ser arrasado pela cabra da editora (eles bem que merecem). Tenho de escolher o timing e tentar a sorte (direitos que me assistem) sem ondas. Dá-me x e nunca mais me vez ou vemo-nos em tribunal. Não quero tribunal, quero o meu e sair dali, mesmo que fique uns tempos sem um posto fixo. Há também a hipótese de me dizerem adeus amanhã. Mas, vistas bem as coisas, essa hipótese é uma constante.

Hoje conheci um construtor de violinos. Quero fazer um retrato dele. Para revista que é pra cima. E ainda o site. E o jornal que não pode falhar. E o documentário que irá mesmo para a frente. Tenho de trabalhar, ainda não li a informação. Não me chega o tempo - má gestão.

Mas, é verdade, já tenho médica de família. A que eu queria. E consulta marcada.

Amanhã, ou seja hoje, é dia de ir à revista que é pra cima e receber à noite os navios afundados.

Não há dinheiro, tenho 5 euros. Está-se bem, ou o melhor que se pode.

Parabéns Pedro Joel, há um ano deixaste a festa de anos em tua casa para dormir comigo. Foi há um ano. Tornou-se numa fotografia. Desde de que, claro, não te veja.

Hora de mudar a foto deste blog.

sábado, 17 de abril de 2010

madrugada

O sempre morto que nasce todos os dias esteve no palacete. O fotógrafo que é um querido, mas cospe no prato de onde come. O inesperado Bolas. Três textos, com boa companhia. Soft. Só destoa, neste quadro, o relógio. São 8h 36.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Aprovado


Meia hora de atraso, chuva. No problem, o sr presidente do conselho de administração estava mortinho por aparecer no jornal. Passagem pelo “já te ligo”. Banho em casa da mãe, máquina café, mochila vermelha, creeeeemmeeees a cheirar a morango, boa conversa, risada. Ambiente leve. Chuva. Um cigarrinho na fila da inspecção. Carta verde, 20 minutos com o querido amigo do fim do mundo, preso na própria vida mas giraço como sempre. Fiz questão de lho dizer mais do que uma vez. Sweet. Chuva. “O perfume” para o meu querido afilhado, a acompanhar com rebuçados para se manter doce, preservativos para sexo seguro. Sr. secretario de estado palrador compulsivo, a presidente da câmara preferida. Temos um segredo. Bolo negro. Chuva. Cor e saltos, e miúdas giras e pernas para o ar. A rolha de metal para o vinho. Chuva. Cansaço mas vou levar-lhe um cigarrinho para rir. Caracóis negros. Empadão de atum. As novidades dela. Três colares novos. Sweet, sweet. Cansaço,, três lugares para estacionar. E ainda o fotografo a pedir os textos. Percebi que o impressionei. E textos para o site da amiga dele.

Queijo de ovelha, chouriço, bolachinhas preferidas, broa, chá príncipe com uma rodela de gengibre a boiar. Feito na cafeteira nova que a mãe deu. Mais um cigarrinho. 170 km em piso molhado com pneus novos. Apetecia-me tocar mas não tenho forças. Foi um dia bom. É tão bonito o som da chuva a cair lá fora.

domingo, 11 de abril de 2010

Quanto mais estranho melhor



É sempre a assistir

É engraçado, não é? Enquanto andei a lamuriar-me por ti, fui fazendo coisas que não escrevi aqui. Histórias minhas, embrulhadas na vida dos outros, coisas boas.

Mas pronto, estou a fazer o luto de ti, concentrada em mim. Com desvios é certo, asneiras, mas obra feita, amizades cimentadas. Em duas semanas publiquei dois artigos num jornal nacional. Aguentei calada os sapos do emprego, a maldade. Tive a ajuda de amigos, entre eles o meu querido professor. Sinto-me bonita, a acreditar no amor, nas portas que vou abrir. Sim, com asneiras e desvios, mas vou lá, aquilo sítio que não sei onde é mas sei que é para lá que vou.

Hoje um amigo levou-me ao trabalho e a um jantar de outro amiga. Hoje publiquei um artigo sobre uma pessoa de quem gosto muito. Dois privilégios em um.

Estou tesa, não sei como vou arranjar o carro e tenho andado aí sem inspecção mas, se me deixar de lamúrias, sou rica tenho amigos e amigas, mesmo que elas se tenham baldado ao meu jantar de Sras. Gajas. Veio uma, foi quanto bastou.



quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quase lá



Lá passou a maratona do fecho. Com a histórias dos feriados da Páscoa as coisas ficaram arrumadas cedo. Não se falou mais do meu “despedimento”. Portei-me bem, dei a volta à questão, espero.

Fui finalmente tomar o tal chá com a minha presidente preferida. Foi ela quem tomou a iniciativa. Não fui à espera de nada mas, tal como suspeitava o professor querido, ela fez-me um convite. Uma avença para um trabalho sem horários, com tempo para me dedicar a outras projectos, como fez questão de referir, mais do que uma vez. Não é para já, mas a ser (e acredito que não esta senhora não fala da boca para fora) vai permitir-me largar o infernal jornal. Vamos ver, espero que sim. Talvez seja um passo determinante para mudar de vida

E ainda anda no ar o documentário com o tipo do mergulho que até me quer dar uma câmara para a mão. E vou continuar a bater a outras portas. E tenho mais projectos que não vou adiar mais. Não vou.

Os meus amigos continuam por perto. Ontem , o amigo de sempre fez-me vir em catadupa só com a língua. Comovi-me, há muito que um homem não me dava prazer, assim, a sentir o que eu estava a sentir. Assim, sem pestanejar.

Depois, pelo meio a nova vizinha que, sendo uma querida, me acaba por colocar em cenários de brincadeiras perigosas. Antes de ontem não resisti. Ontem estava com a cabeça feita em água, hoje estou com a angústia de escrever o artigo sobre a minha diva e ... outra vez bloqueada. Que merda! Que se passa? É medo? É ressaca da asneira?

Bom, já chega de auto comiseração. Vou escrever o artigo, vou escrever o artigo, vou escrever o artigo!

sexta-feira, 26 de março de 2010

dia 25



Muita, muita coisa tem acontecido. A repetição do esquema do jornal, os artigos para o I, tenho menos de 24 horas para entregar o primeiro sobre os velhotes que jogam no jardim, depois há o da minha linda diva, pelo meio o jornal, e o dinheiro que não pagam e o adorado professor que me socorre sempre.
Antes, o teu filme para levar o pistautira à monstrinha. Fui direita a tua casa à noite. Fizeste o teu ar de feliz e confiante e indiferente. És pequenino. Finalmente larguei-me de ti. Sim bebi uns copos antes e depois de te ver, dois dias de ressaca, e assim te exorcizei. Gosto de ti mas vou deixar de gostar, não quero uma não pessoa para mim. Quero um homem. Tu não és, duvido que venhas a ser. O mais provável é que sejas mais um dos que vivem um personagem politicamente correcto porque se assustam com a vida, com o desafio de viver.
Eu, com toda a minha emocionalidade e ingenuidade, sou uma pessoa a sério. E decidi levar-me a sério.
É tarde, estou cansada e com o artigo bloqueado. Tenho bebido umas cervejinhas. Mas em casa, para escoar o stress que, não obstante, tem andado controlado. Vou dormir, daqui um bocado é um novo dia e este será enorme. Bora lá.

PS: tirei-te do Face, perdeste o acesso à minha vida online.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Um dia

Escrevo na cama, são duas da manhã. Não tenho sono mas estou cansada. Acordei a horas de fazer o serviço do emprego. Ainda liguei ao pai que já sei que não está bem, ficou sem trabalho. Que merda! Segui com o dia. À hora de almoço pensei no teu silêncio e quase que te mandei uma mensagem a perguntar se não era digna da tua resposta. Mas não mandei, nem pensei mais em ti. Encontrei o amigo gay no café, que bom reencontrá-lo. Depois bebi outro café e eis que me ligas. Disseste que sim ao baby sitting mas no sábado, fora de tua casa. Falaste tranquilamente, descontraidamente, quase senti que estavas completamente esquecido de mim. Fiquei triste, achava que tinha de trabalhar no sábado, tinha de ver a agenda. Fiquei de te ligar. Cheguei a casa e liguei de imediato à amiga de sempre, via a agenda e, afinal, o programa de sábado é com ela, a ver o filme de animação para crianças que ela escreveu!!! Melhor programa não há. Liguei-te de volta. Gostaste do prgrama, disse que ia buscar o pistautira uma hora antes do filme e insististe que era melhor mais cedo para ter tempo de falar com ele. Até fiquei encabulada, pensei numa hora antes, precisamente para ter tempo com ele. Pensei até que que tinhas programa na tua vida mais cedo. Depois não pensei. Ficámos de nos coordenar melhor no sábado. Foi bom falar contigo assim, naturalmente. Depois fui buscar a minha diva para três horas de conversa profissional informal. Foi tão bom. E, só quando a deixei no metro, é que voltei em pensar em ti e no pistautira. Que bom. O que preciso mesmo é de trabalhar no que gosto e como diz a diva, tens mesmo de ir à luta e correr atrás do que queres fazer. Não me apeteceu fazer jantar mas fiz. Bebi um copo de vinho, fiquei com vontade de espairecer em vez de fazer os km que me irão dar o dinheiro que já não tenho. Fiquei tesa. Falei com o amigo que me faz sempre rir, deixou um talvez passe por ai. Pus uma foto de nós (o amigo e eu) a falarmos online que gerou um never ending comentários divertidos. Falei com a amiga produtora que também vai no sábado com o filhote. Que bom. Mais facebook, onde acabei de marcar um jantar de sras gajas. O amigo que me faz sempre rir veio apanhar-me para um copo aqui no bairro. Deu-me um búzio do mar. Sim, hoje foi um dia perfeito.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Não me apetece

Escrever sobre o jantar de onde fugiste antes de eu chegar. Sobre a comoção de ver o pistaurira ali, a pôr-se a jeito, para que lhe falasse. O turbilhão de emoções em que me deixaste, depois de perceber que foste aquele jantar para me ver e depois mudaste de ideias quando soubeste que eu estava a chegar. Sobre a cena da amiga actriz que não me entristeceu. Sobre a solidão dessa noite que se manteve um dia inteiro. Sobre o absoluto desprendimento dos artigos. Sobre a noite em que sonhei contigo e com o pistautira, a outra em que sonhei com vampiros. A solidão que me invade. E o surreal episódio da senhora, muito doente, que me bateu com o carro e depois chamou a policia porque afinal eu estava mal estacionada. Sobre o teu silêncio à mensagem de voz que te deixei a perguntar pelo baby sitting. Se não queres diz. És a 1ª imagem que de ti tive. Um puto simpático e inseguro. A única diferença é que, entretanto passei por ti, agora já tens auto-estima e fazes o ridículo bigode à cantiflas.
Ainda bem que te deixei de fazer broches muito antes de saber que, apesar de teres uma pila grande, não tens tomates.

sábado, 13 de março de 2010

Almôndegas com amor

Chegam a casa dele depois de uma praia ao pôr do sol. Ela quer cozinhar, dar-lhe um mimo a fechar o fim de semana perfeito.

Procura por entre as gavetas do congelador e tira uma embalagem de almôndegas. Senta-se na varanda a apreciar a brisa de uma noite quase de verão. Faz um gesto de cansaço, nota-se que está extenuada.

Ele senta-se a seu lado, finge que não percebe e faz conversa. “Porque não me deixas fazer o jantar e tu ficas aqui a falar comigo”?

Ela hesita mas acaba por anuir e liga o gravador. A música ecoa pela varanda, um dub simpático preenche a cozinha. Acende um cigarro, filtro branco, a lembrar as divas dos filmes noir.

Risse ao vê-lo cortar os alhos, tira a casca ao bocadinhos, com as mãos. Nada diz. Ele passa a cortar a cebola com uma faca grande, num estilo profissional, em fatias finas.

“Não há batatas” comenta e vai à despensa. “Vou fazer arroz de manteiga, os bicos do fogão são demasiados fortes para o arroz frito”. Com um sorriso, ela agradece o poder de decisão enquanto ele despeja um fio de azeite no tacho e acende o lume.

Agora um jazz ligeiro flutua enquanto ele refoga as cebolas e acrescenta tomate cortado aos bocados. Ela percorre–lhe o corpo com o olhar. “Gosto de ti, cozinheiro”.

Ele sorri-lhe, ergue a mão fechada e diz: açúcar, canela, e umas gotas de limão: a perfeita trindade. Ela devolve-lhe o sorriso e estende as pernas por cima da mesa, desnudando os joelhos. Ele acrescenta às almôndegas uma folha de louro, uma pitada de pimentão doce e uma gota de vinho branco. A seguir tira o arroz do lume, põe-lhe uma noz de manteiga, mostra-lhe o tacho e pergunta-lhe se é suficiente. “Mais. Arroz de manteiga tem de saber a manteiga”.

Fumam um cigarro enquanto as almôndegas acabam de cozinhar. Trocam gestos sensuais, beijos fugidos, entrelaçados, molhados.

“Inebriante”, diz ela a seguir à primeira garfada, após uns segundos de silêncio. Ele sorri-lhe com os olhos. Tocam à porta. É o amigo que divide o apartamento com ele.

Saem direitos à casa dela. Deitam-se na cama e beijam-se devagar. Despem-se um ao outro. Moldam-se, enrolam-se, fundem-se.

Fico sentada, imóvel, ao som da musica romântica, até as letras do genérico desaparecerem. Sou a última a sair da sala.

Está um tempo horrível, a chuva traz-me à realidade fria. Chego a casa ensopada. Fervo água e janto umas noodlles chinesas de pacote. Abro o portátil, começo a trabalhar e varro da memória essa história bonita, intensa, com um daqueles finais felizes que só se vêem no cinema.

( Este a olho já foi punlicado há uns tempos, esqueci-me de o trazer para aqui)

Out


A amiga actriz ligou a caminho do mar. Já tinha ligado. Eu que me pusesse a andar e fosse ter com ela e o amigo que me faz rir para a esplanada de frente para o mar. Tinha um sms teu.

Era tarde, precisava mesmo de trabalhar mas fui e fugi do décor dos últimos dias. A caminho avisaram-me de que não iam demorar. Logo a seguir apanhei um acidente no acesso à ponte. Não faz mal, sozinha sou capaz de efectivamente trabalhar. Li o teu sms. Era simpático, até andaste à procura de um fio para me oferecer. Despedias-te com bjs. Respondi que encontrara o fio e agradeci. Despedi-me com bjs e não pensei mais em ti.

Refugie-me do sol de chapa, cumprimentei o mar. Estava tranquilo com um bando de surfistas pelo meio. Uma criança molhava os pés.

Pedi um hambúrguer e a custo escrevi dois textos. O amigo que me faz rir convidou-me para passar pelos ensaios e continuar a trabalhar lá. Houve uma altura em quem pensei em vir para casa. A guitarra, os vídeos, as discussões, as canções, tudo ao mesmo tempo, criavam ruído mas habituei-me a ele. Trabalhei, jantei à borla pois o amigo que me faz rir encontrou dinheiro a caminho do restaurante e pagou a despesa. Continuei a trabalhar.

Depois lembrei-me de guloseimas e combinei com a amiga actriz que diz que vai já já ter a casa mas acabou por ligar às seis. Até fiz mais um texto, escrevi aqui e reli a crónica. A actriz amiga ainda me pediu para lhe ler outras. Que bom.

doce

sexta-feira, 12 de março de 2010

Clean

No dia seguinte voltei a dormir 13 horas. Saí para comprinhas, voltei ao palacete determinada a trabalhar. Tinha de ser. Mas não foi. Desta vez não me entreguei ao porno. Lavei antes a casa-de-banho toda e, sem pensar muito na trabalheira que ia dar, troquei os móveis, deitei toneladas de papel e tralha para o lixo, lavei paredes, o armário do caixote do lixo, o balde do lixo. Limpezas a sério.

Olhei para o palacete e gostei dele. Senti-me de novo no lar que tem algo de novo. Não andava lá muito confortável com ele, as coisas estavam fora do sítio. Ontem encontrei-lhes o sitio e voltou a haver circulação e espaço. Espaço é essencial. No meio do entusiasmo faltou-me um fio da impressora que tinhas trocado há tempos por outro de 5 metros. Para eu poder estar sentada no sofá a imprimir coisas.

Agora esse fio, é um ramalhete com uma série de voltas, bem à vista na prateleira do meio. Liguei-te naturalmente, sem pensar em nada que não no fio. Não atendeste, aí fizeste-me pensar. Deixe-te fora da cabeça e convidei a nova vizinha para um serãozinho no palacete. Estava sem o puto, a fazer o IRS. Veio logo, ainda estava instalada a desarrumação. Encontrei o fio da impressora e sorri.

O serão tranquilo apesar das guloseimas passou depressa foi agradável e acabou por volta das duas. Porno sucinto e uma embalagem de gelado de nós com raspas de chocolate. Por quatro vezes enchi a tigela das vaquinhas. Foi uma sessão de orgasmos gastronómicos múltiplos. O paladar é como um clítoris, desde que estimulado, é a porta para o prazer absoluto. Perfeito. Efémero. Os orgasmos gastronómicos múltiplos, tal como os clitóricos, são aditivos. Depois de um queremos logo outro. E outro a seguir. O prazer é uma droga. O doutor disse-me que me castigava com o prazer (não foi bem esse o verbo, encontro-o quando falar sobre essa interessantíssima conversa). Dormi umas doze horas.

Hoje foi diferente. Hoje levei o trabalhinho para ao pé do mar.

terça-feira, 9 de março de 2010

Sol frio


Hoje veio o sol. Apesar da luz passei a manhã na cama, devo ter dormido umas treze horas... Mas quando liguei o cérebro fui logo para a rua, esqueci-me até que sol não é obrigatoriamente sinal de calor. Com frio, bebi uma bica no café do bairro e liguei às amigas do costume que não me ligaram nenhuma. Falei com a aniversariante: estou convidada para a festa no sábado. A cabra da produtora marcou e não desmarca um trabalho para domingo de manhã, seguido de leituras de pdf’s. Grande cabra. Actualizei a agenda, marquei algumas entrevistas, não todas as que preciso. Pensei mais do que uma vez no amigo fotógrafo que, metendo os pés pelas mãos, vendeu uma ideia minha que foi aceite, mas entregue à jornalista da casa. Fiquei furiosa, mas cautelosa. O que lhe iria dizer? Que as minhas propostas foram em nome dos dois, as nossas que ele propôs foram em nome dele’, Eu fiz diferente e não há mais conversa. Até que sempre gostei do amigo fotografo mesmo antes de o conhecer. Vendeu-me a imagem de louco, numa das festas da aniversariante, achei piada ao estilo gingão. Depois conheci-o no ambiente dele, rodeado de crianças e amigos, entre eles, o ex. E achei-o um urso de peluche, um lamechas disfarçado de mauzão. Mas atenção. Nesta história a matemática é simples: por uma brainstorming em conjunto ele ficou com três trabalhos, eu.. com dois, sendo que todas as ideias são minhas.

Liguei-lhe à tarde e, atrapalhado disse que ligava mais tarde. Ligou agora, comigo já jantada com take away chinês e arrepios de frio na cama, anunciando que ia ficar sem bateria, que tinha falado com o editor que até me troca o nome, e que o 3º trabalho ia se feito por outra equipa. E depois ficou sem bateria...

Se assim for está bem, não porque ganho alguma coisa por não o fazeres, mas porque te manténs correcto comigo. No entanto, irei certificar-me de que o nome desse fotógrafo não passa de um pseudónimo teu. Aí, serias um bocadinho maquiavélico. Veremos, deixemos a boa onda no ar, pois que preciso de ti para fazer dois trabalhos que quero bem feitos. Alem de que não me apetece nada chatear-me contigo. Até esta querela, tens sido um bom amigo.

Estou com arrepios de frio, penso que é mais uma daquelas gripes psicossomáticas: jornal, artigos, money, social, solidão - gripe. Tenho de gerir as coisas bem sem stress ou esforço desnecessário. Estou sem energia, tenho de a poupar.

Fiz um pequeno artigo para o jornal, devia ter feito mais, mas depois do cigarrinho para rir entreguei-me ao link do break e vim-me duas vezes. Depois fiquei com frio. É uma gripe psicossomática. Já estou enfiada nos edredões. E tomo meio comprimidinho da bela adormecida se for preciso. Quero partir para a vida dos sonhos antes da meia noite. Pretendo estar de volta bem cedo, beber o café na rua, espreitar o jornal e levar de forma rentável o último dia sem marcações. Depois, é sempre a abrir e eu não ando lá muito bem, ao contrário do que parece no facebook. Descansar, dormir, sonhar na altura certa do dia – à noite. De dia, olhos bem abertos. No facebook – chique!. Primeiro porque é bem, depois, para o caso de vires espreitar, quero que vejas o lado melhor, a rir, com amigos. Sempre chique. Sem mostrar um bocadinho que seja do buraco que deixaste aqui.

segunda-feira, 8 de março de 2010

motivos



Depois veio a 2ª versão, a “cereja em cima do bolo” que a sister me quis dar. Era altura agora de o abordar. Estava carente. Saltei da serenidade do luto para a inquietação. Liguei-lhe no dia seguinte para combinar dar-lhe o rancho. Nunca perguntou o que tinha para lhe dar, não quis que fosse com o Henrique presente, enxotou-me da família. Custou-me, não tinha ideia de me fazer convidada, fazia apenas mais sentido ir dar-lhe o taparuer a casa. Fiquei inquieta, sem saber que fazer.

No dia seguinte, a lembrança de dizeres que a nossa relação era destrutiva, a impossibilidade de ir a tua casa, a hora que marcaste para vir à minha sem que tenha sugerido, juntaram-se à falta de vontade de cozinhar para ti um rancho, prato que custa dinheiro e dá trabalho. Para quê? Para o levares no taparuer para o jantar e me dispensares uma hora de atenção? Não, assim não. Se não queres não queres e assim troco a paz da dor do luto pela inquietude que os teus nins me provocam.

Com um simples e seco sms cancelei o encontro sem explicações ou falamos depois. Estou triste e de luto, programei uma queca porque me apetecia mas, na altura, não quis. Parei e fui levá-lo a casa. Estou de luto.

A neura da chuva e o abuso de guloseimas, o ordenado aos bochecos, a chuva persistente e permanente deram-me cabo da energia.

Mas hoje encomendaram-me dois trabalhos para a revista nacional. Estou meio em pânico, com o jornal atrasado mas amanhã tenho uma coisa que não tive hoje para sair da cama: um motivo.

sábado, 6 de março de 2010

sentido único

olá, afinal não vai dar para nos vermos amanhã. abraço.

terça-feira, 2 de março de 2010

Versão 01

Lá soube como vieste de Tenerife. Por versões. A primeira aconteceu por telefone, no dia que consegui a proeza de chegar antecipada uma hora, de manhã, e hora e meia à tarde, aos dois serviços que fiz para o jornal. No parque de estacionamento do protocolo, acendi um charro. Chovia, a rádio estava tranquila, eu também. Foi então que falei com a sister. Num tom terno, como que a descansar-me, contou que tu e tal espanhola eram amigos, que ela tinha namorado, que tiveste muito tempo em casa e sozinho, mas também estiveste na festa rija do Carnaval e tinhas dormido com umas espanholas mas não voltaste encantado com nenhuma. Depois pediu-me para sair de onde estava e falarmos melhor depois. Ficou de cá vir jantar.

Continuei a ouvir a rádio calminha, comi um Bábá para me dar algum ânimo, falei com a amiga de sempre. A sister deixou-me completamente na dúvida se me queria dizer com calma que tinhas fechado o nosso dossier, ou se havia alguma coisa. Dissertámos a questão e concluímos que até para ela foi dúbio,

Já preparava o jantar quando me enviou um sms a desmarcá-lo. Telefonei-lhe, lá perguntei se estavas a fim ou não. Não, disse ela. Perguntei se gostavas de mim. Disse ser óbvio que sim mas que nunca o ouviu dizer tal coisa. Com uma voz terna combinou um chá com bolinhos para a tarde seguinte.

Comprara uma guloseima para nós e fiquei com duas vontades: a de ir dançar mais tarde à caixinha de som, depois de trabalhar, e a de levar a sério esquecer-te, deixar-te ir de vez, fugir de ti, se fosse preciso.

Comi as guloseimas, ouvi música, andei pelo face e masturbei-me até à exaustão com porno. Sem pensar em ti.