Tive mais um ataque de choro. É assim desde aquela conversa. Não é todas as noites mas em algumas, como esta, quando o sono não vem e não sei porquê, foge-me o pensamento para aquele nós, que há tanto tempo não existe, rolam-me lágrimas pelo rosto e choro compulsivamente. Inconsequentemente, tristemente choro por ti, tu que não gostas de mim.
Uma hora e um quarto ao telefone. Se o Office demorou 15 a 20 minutos a instalar o resto do telefonema foi eu a criticar-te, a mandar-te abaixo, a pôr-te defeitos e tu a ouvires. Sim, argumentaste, sim calaste-te quando afirmei que era especial (és tão mau), discutiste até e mandaste-me calar para argumentares, para me dizeres que foi apenas uma paixão, para falares mais uma vez naquela tua vida que andas a correr atrás, tu, que afinal és um adolescente, tu que não sabes o que é amar. Eu sei e preferia não saber. Aquele telefonema levou-me àquele ponto onde já não estava há muito tempo, aquele tal ponto que, quando te vi há 15 dias na festa, me fez, sem pestanejar, fugir de ti. Não te quero, quero alguém melhor do que tu, bem melhor. Alguém que me faça voltar a agarrar a vida, essa minha vida que quero correr atrás, aquela tal vida onde, com a capacidade de fazer qualquer coisa, consiga fazer todas as coisas. Odeio-te. Não choro por ti, choro por mim que, feita parva está uma hora e um quarto ao telefone contigo. E continuo com a sensação de que tudo o que dizes é falso, é feito para me afastar, é feito para te defenderes do amor que sentes por mim e que te assusta. Pois, tu admitiste há tempos que tinhas medo de mim. No mesmo discurso em que disseste que, sem mim, estavas perdido. Pronto, consegui estancar as lágrimas, por hoje. Odeio-te, que é quase a mesma coisa que amar-te.