Já não pertences aqui. Decidi deixar de falar de ti, escrever sobre ti. Ainda não consigo deixar de pensar em ti, estou ainda agarrada ao gajo egoísta e indirecto e o babe, cada vez mais escondido.
Continuo a ver o puto do skate que de puto pouco tem e, apesar da timidez, toma iniciativas. Só não me beija sem ser na cama, ainda não percebi bem porquê.
Temo-nos feito companhia um ao outro, falamos, jantamos, saímos e fodemos sempre com simplicidade e tranquilidade. É leve estar com ele, sinto-me leve e não ocupo a cabeça.
Escrevo em casa dele. Ontem, em mais um desencontro que tem caracterizado a nossa relação, disse-me ao telefone às três da manhã: “Hoje não vou aí, mas amanhã apanho-te para almoçarmos junto ao mar, vens trabalhar para minha casa e vais ver que vamos ter um dia fixe”. Pedi-lhe que me trouxesse flores, riu-se mas não trouxe.
“Olha, não achas que nos estamos a ver muito”?, perguntei. “É o que te disse no outro dia, não quero magoar ninguém, vamos devagarinho e falamos amanhã”. “Está falado”, respondi, assim é que se fala, não é preciso dizer mais nada.
Entretanto tu espetaste no facebook um coração para uma espanhola de merda que está ou esteve abancada em tua casa. Uma espanhola que, na altura do telefonema que fizemos, ainda não tinhas fodido mas, ao perguntar-te se a ias foder, respondeste “não sei”. Esta frase foi precedida de um dia em que te mandei 3 mensagens decadentes, às quais respondeste com um “ligo-te depois, beijos”. Ligaste ao final do dia, disse-te que comprava o teu Mac. Depois de um silêncio, com uma voz meiga, perguntaste se não tinha mais nada a dizer. Não tinha. Depois de desligar percebi que querias conversar ou qualquer coisa de género. Liguei-te, atendeste ao primeiro toque e disse-te a verdade. Que estava doente (ai o que eu bebi na noite anterior), que estava menstruada e não queria nem conversar contigo nem foder-te. Queria que me trouxesses uma sopa e visses um DVD comigo. Precisava de ti.
Já tinhas dito que os teus planos eram um banho de imersão e cama. Mas, depois de te pedir para vires ter comigo, disseste então que tinhas a espanhola em casa e que ainda não sabias se a ias foder. Não o disseste desta maneira, respondeste apenas às minha perguntas. Fode-a lá à vontade, aposto que não lhe consegues dar um orgasmo.
Eu, estou à espera que o puto do skate acabe o logótipo que está a fazer para me ir dar de jantar. Está-se bem. Mesmo. Só gostava que ele me beijasse mais vezes, sou uma beijoqueira inveterada. O beijo é a password para cada um de nós.