sábado, 30 de janeiro de 2010

Password

Já não pertences aqui. Decidi deixar de falar de ti, escrever sobre ti. Ainda não consigo deixar de pensar em ti, estou ainda agarrada ao gajo egoísta e indirecto e o babe, cada vez mais escondido.

Continuo a ver o puto do skate que de puto pouco tem e, apesar da timidez, toma iniciativas. Só não me beija sem ser na cama, ainda não percebi bem porquê.

Temo-nos feito companhia um ao outro, falamos, jantamos, saímos e fodemos sempre com simplicidade e tranquilidade. É leve estar com ele, sinto-me leve e não ocupo a cabeça.

Escrevo em casa dele. Ontem, em mais um desencontro que tem caracterizado a nossa relação, disse-me ao telefone às três da manhã: “Hoje não vou aí, mas amanhã apanho-te para almoçarmos junto ao mar, vens trabalhar para minha casa e vais ver que vamos ter um dia fixe”. Pedi-lhe que me trouxesse flores, riu-se mas não trouxe.

“Olha, não achas que nos estamos a ver muito”?, perguntei. “É o que te disse no outro dia, não quero magoar ninguém, vamos devagarinho e falamos amanhã”. “Está falado”, respondi, assim é que se fala, não é preciso dizer mais nada.

Entretanto tu espetaste no facebook um coração para uma espanhola de merda que está ou esteve abancada em tua casa. Uma espanhola que, na altura do telefonema que fizemos, ainda não tinhas fodido mas, ao perguntar-te se a ias foder, respondeste “não sei”. Esta frase foi precedida de um dia em que te mandei 3 mensagens decadentes, às quais respondeste com um “ligo-te depois, beijos”. Ligaste ao final do dia, disse-te que comprava o teu Mac. Depois de um silêncio, com uma voz meiga, perguntaste se não tinha mais nada a dizer. Não tinha. Depois de desligar percebi que querias conversar ou qualquer coisa de género. Liguei-te, atendeste ao primeiro toque e disse-te a verdade. Que estava doente (ai o que eu bebi na noite anterior), que estava menstruada e não queria nem conversar contigo nem foder-te. Queria que me trouxesses uma sopa e visses um DVD comigo. Precisava de ti.

Já tinhas dito que os teus planos eram um banho de imersão e cama. Mas, depois de te pedir para vires ter comigo, disseste então que tinhas a espanhola em casa e que ainda não sabias se a ias foder. Não o disseste desta maneira, respondeste apenas às minha perguntas. Fode-a lá à vontade, aposto que não lhe consegues dar um orgasmo.

Eu, estou à espera que o puto do skate acabe o logótipo que está a fazer para me ir dar de jantar. Está-se bem. Mesmo. Só gostava que ele me beijasse mais vezes, sou uma beijoqueira inveterada. O beijo é a password para cada um de nós.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Uma da manhã

Uma semana e meia, tantas aventuras e tudo na mesma. As contas acumulam-se, pelo meio jantares improvisados com amigas, boa disposição, uns copitos, pois às vezes tem de ser.

Do nada, inesperadamente, surgiu o artista plástico, o puto do skate que, numa aventura me fez sentir gira, sexy, sem pesos de consciência contigo. Diz o que tem a dizer, até à data não faz joguinhos e tem umas respostas giras. Não, não estou nem aí a apaixonar-me ou outra coisa qualquer. Mas é bom, para variar que, sem grandes palavras, alguém me diga as coisas certas na altura certa.

Não me apetece escrever, nem contar aqui o que tem acontecido por aqui.

Hoje tive o embate de uma semana agitada. Sinto-me nua, sozinha, apesar de saber que são efeitos pós semana a abrir.

Pelo meio, tenho um computador a morrer, sem perspectiva de comprar outro. Ando amarrada pelo dinheiro que não existe, não me apetece escrever, tirar fotos, lutar por uma vida melhor. Nada.

Ontem, entre adormecer com o puto do skate a tentar “raptar-me” da cama para estar com ele e acordar com uma amiga a convidar-me para um brunch, tive saudades tuas e liguei-te. Não quiseste tomar café comigo, estavas com o filhote “até à noite”. Fui para o brunch que acabou em jantar improvisado e daí fui ver o mar no Cabo da Roca. Sim, foi muito giro.

Hoje, tive a ajuda preciosa da amiga de sempre. Depois adormeci às 10 no sofá para acordar com vontade de te ligar. É quase uma.

Acho que preencho com os amores e os flirts o vazio da minha vida. Só penso na vidinha amorosa, só disso falo com as minhas amigas. Em vez de escrever sobre as nossas peripécias (pois que os homens são todos iguais), em vez de fazer mais crónicas e pensar em artigos para a revista, fico-me por aqui a escrever textos lamechas.

Não estou bem mas disfarço. Apetecia-me dormir nos teus braços, mas sei no meu intimo que já desististe de nós. Assim, como quem dá cá aquela palha. Acho que eu também desisti de mim. E não foi hoje. Mas, pois, sim, eu sei, amanhã é um novo dia e acordarei outra vez sem vontade de sair da cama.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Single

Aconteceu muita coisa depois daquela fria conversa. Vieste atrás de mim, mostraste-me a tua casa, incluíste-me na tua nova vida. No fundo, deste-me o que te pedi naquela fria conversa. Depois, para variar, à mistura com os problemas do Big que está a morrer (onde vou arranjar dinheiro para comprar um portátil?) meteste os pés pelas mãos. Desejaste-me boa sorte. Assim, tu que queres tanto ser meu amigo, excluiste-te de me ajudar. Não tens, é certo, que o fazer. E pronto, lá nos afastámos outra vez. Mas não foi só entre nós que aconteceu muita coisa. Sem ir à procura, sem estar à espera, aconteceu qualquer coisa comigo. Que nada tem a ver contigo. E, pela primeira vez desde que te conheço, consegui tirar-te da minha cabeça. Sou de novo uma mulher solteira, "livre e descomprometida".
Ainda quero o nosso amor, acredito que é amor. Mas terás de lutar mesmo por ele, daqui para frente. Duvido que o faças. Vou dormir, estou extenuada. A vida aconteceu-me. Amanhã pego nela outra vez.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Para animar

blá, lá, blá

Ontem não acordei às 9 mas antes do meio dia já estava de jornal em cima da mesa do único café do bairro onde se pode fumar. Dei uma bela caminhada até lá, bebi duas bicas e li o jornal de fio a pavio. Belo Sábado. Ao telefone com a amiga produtora considerei um almoço a correr mas preferi ficar na minha manhã bairrista. A caminho de casa encontrei o bairrista dos olhos malandros. Está com boa ar, ar de vida saudável. Assim como a conversa. Tem um cão, está muito “construtivo” com a namorada, em paz, sem os infernos das noites. Bonito. Fumamos um charro enquanto comentávamos que charros a esta hora era para se perder o dia.

Dito e feito. Deixei a casa arrumada e sentei-me a navegar no Mac. Lá consegui acabar a agenda. Depois entreguei-me a uma sessão continua de porno, filmes, noodlles chinesas, croissants com chocolate derretido e séries de detectives. Muito chá. A pensar em ti? Sim, o tempo todo. No passado, no presente de onde não faço parte, da ajuda para te mudares para a casa nova que não pediste, no meu presente onde arranco e páro e páro e arranco. Não és o the one, tu próprio o dizes descansado. Consegues viver sem o meu amor, apesar de me amares. Este texto está a ficar muito lamechas e apetece-me é falar de outras coisas.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Na minha cara

Beijámo-nos. Vê lá tu a minha sorte em nos dares meia hora. Meia hora de amor, depois da cena quase humilhante. Primeiro pensei que decidiste fazer amor comigo só para me tirares dali. Depois o meu babe apareceu, pôs música e foi buscar um aquecedor, sabia que eu ia ter frio.

Despiste-me devagar, a sorrir, com afecto. Quando o sexo começa com a frase “queres pôr-te na minha cara”, só pode ser bom. Foi. Para ambos, juntos. Talvez o melhor sexo que alguma vez fizémos. No fim, dei um grito profundo de prazer. Não conseguiste dar-me um orgasmo mas participaste nele. Foi bom. Deitaste-te ao meu lado à conversa. Precisavas de ajuda para tomar conta do filhote na manhã do dia da mudança. Disseste que haveria de dormir em tua casa... de vez em quando. Depois lembraste-te de que não tinha boleia para casa, não me porias na rua. Retorqui que apanhava um táxi, para tua satisfação, tinhas de “acordar às sete e meia”. Ficaste a apreciar-me enquanto me vestia. “Pensei que preferias ver-me despir”, brinquei. Saí ciente das regras do jogo.

No dia seguinte quase chorei ao telefone com a amiga produtora que me disse “para deixar rolar”. Não chorei tanto pela nossa não relação. Chorei por este vazio na vida que me dá espaço para pensar demasiado em nós. “Não sei por onde começar”, disse-lhe entre lágrimas. “Começas por uma ponta qualquer”.

Ontem levantei-me às nove, trabalhei para o jornal, falei com a advogada por causa da merda das despesas do tribunal, falei com a seguradora do carro e a terminar o dia dormiu cá ter a amiga de sempre para me dar uma boleia .

Deitei-me cedo, acordei mais do que uma vez e sai da cama às sete, antes do sol nascer. Escrevi e escrevi de rajada. Estou tranquila. Não sei por onde começar mas quero a minha vida. Por mim primeiro, depois para te mostrar qualquer coisa, que não sei o que é.

Decidi também outra coisa. Depois de perguntar sobre o que farias se te encontrasse numa discoteca com outra, respondeste: “Hum, pois não sei, mas somos livres, claro. Mas não me verás numa discoteca com outra porque não estou interessado noutra, estou interessado em ti. Mas se calhar irei encontrar-te numa discoteca com outro e não sei o que irei sentir”. Tens boas respostas, sim senhor. Foi por isso mesmo que decidi que não me verás numa discoteca com outro mas, a partir de hoje, fodo com quem me apetecer. "Livre e descomprometida", como queres que seja a nossa não relação. Provavelmente vou sentir-me mal, mas solta de ti.

Precisas de ajuda com o filhote amanhã. Duvido que ligues a pedir. Não interessa. Eu tenho não sei bem o quê para fazer mas acabará por me ocorrer qualquer coisa.

Por hoje, tratei da roupa, apanhei um frio de rachar no trabalhinho, almocei com os papás, tratei dos mails e fui ver do Ganso à oficina. Encerro o dia com um cigarrinho para rir. Não tarda muito, estou enfiada no edredon com o pijama dos ursinhos verdes.

Não quero?

Acordei angustiada, passei a manhã toda nisso. Vai sempre ser assim, não quero isto para mim. Depois de uma hora ao telefone com a amiga de sempre, conclui que não quero, que não consigo fazer isto. E acabei por te ligar. Primeiro estavas com pressa, depois querias desconfirmar o teatro, pois coincidia com a tua mudança de casa, depois não tinhas tempo para me ver hoje e vais andar a trabalhar até altas da horas da noite. Recebi o recado. “Então, é mesmo por telefone”. Engoli em seco e continuei: “Não consigo fazer isto”. Silêncio. “Está bem”. “Está bem”? “Não, não está nada bem. Posso ligar-te à noite que agora não tenho cabeça"? “Podes, mas se não ligares, está feito”, e desliguei. Fiquei satisfeita com o meu poder de decisão e com a tua vontade em me ouvir.

Lá falei mais meia hora ao telefone com a amiga de sempre e fui trabalhar, sem ânimo. Iria acabar hoje, era o mais provável, mas era o melhor para mim. Ainda arranjei as unhas das mãos antes de meter no metro. Depilação feita, sentia-me segura e, sinceramente, o que me apetecia era que não houvesse grande conversa, nada de pesado, apenas amor. Físico, intenso, bom.

Percebi na ansiedade em que iria ficar até ligares, depois de deitares o filhote. Para te ter nesse dia, teria de ir ter contigo. Com um sms arranjei maneira de o fazer e lamentei ter-me esquecido do estojo de maquilhagem.

“Sou todo ouvidos”, disseste quando te sentaste no sofá, sem me beijar.

Falei devagar, que não queria uma conversa pesada, não queria entrar na tua vida como antes, que precisava também do meu espaço. Queria apenas ir sabendo de ti, que me contasses da casa nova, que não me despachasses ao telefone. Ao me afastares assim, davas espaço ao outro”. Ouviste em silêncio. Depois, sem pestanejar, disseste que assim não dava, que o que tinhas para oferecer era muito pouco, que estavas numa fase egoísta e egocêntrica e não tinhas tempo para mim. Que eu precisava de alguém que estivesse lá para mim e não eras tu esse alguém. Eu que fosse para os braços do tal outro, o que me dá conforto. Sem pestanejar.

Disse que não era assim, só queria sentir-me ligada a ti, para isso não era preciso ver-te, era apenas preciso que algum mimo, alguma atenção e até queria saber como é a tua casa. Foste buscar uma planta, explicaste onde era o quarto e a sala mas mantiveste o teu ponto de vista. Recusaste os meus abraços e, por mais do que uma vez, deste-me a atender que querias que fosse embora. Ponto, final, parágrafo.

Foi aí que percebi que não conseguia sair dali. Não me consegui levantar do sofá e nunca mais te ver. Não consegui. Perguntei o que tinha sido aquela conversa na outra noite, repeti que se duas pessoas se querem é uma estupidez não darem uma hipótese a esse amor, e a vida não faz sentido sem ele. Quase, quase chorei. Perguntei-te se não gostavas de mim, não conseguiste dizer isso, mas disseste algo que queria dizer o mesmo. Não me lembro da frase.

Não acreditei. Não sabia onde pôr as mãos, o corpo, não sabia o que fazer. Fiquei sem argumentos, levantei-me e voltei a tentar abraçar-te. Quiseste rejeitar-me mas não conseguiste. Já de pé, abraçada a ti, disse-te que tinha uma langerie da cor da tua camisola. “Não me faças isso”, respondeste.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Quero?

Até a amiga actriz, a minha guru nesta odisseia, ficou espantada com as tuas palavras. Agora era só eu estar linda, maravilhosa e disponível de 15 em 15 dias- a tua provável disponibilidade para me ver. Que assim, sem te cobrar nada, sendo como o que queres que seja, um dia irás acordar e sentir que me queres, que te faço falta nessa tua vida tão ocupada. Concordei, concordei com todas elas (as amigas do coração) que, de uma maneira ou de outra, disseram o mesmo. Sei que é assim, que é esse o jogo a jogar em cima da mesa.

Mas, dois dias depois sem saber de ti, telefonei-te por causa do teatro infantil, há muito combinado. Convidei-te para almoçar. Não podias, estavas muito ocupado, blá, blá, blá, beijinhos, adeus e um queijo.

Liguei ao realizador produtor e fui almoçar com ele e um amigo. Andámos pelas tasquinhas típicas de Lisboa e, não fosse o amigo, tê-lo-ia beijado. Apeteceu-me imenso, para minha surpresa. Foi divertido, vim embora para continuar a vida. Tratei de pôr o carro numa garagem, acabei por fazer depilação e arranjar os pés. Finalmente encontrei uma profissional à altura dos meus desgraçados pés. Fui tomar conta da sereia loirinha. Depois senti-me imensamente sozinha naquela casa enorme. Percebi que isto vai sempre ser assim. Que vou estar ligada a ti, sem que estejas ligado a mim. Que será sempre “leve e descomprometido”. Poderei estar mais um ano a ligada a ti, tu continuas o ocupado contigo. Quero isso para mim? Quero um amor aos bocados? O que ganho com isso? Acabarei por não fazer nada por mim, e ficar agarrada a esses bocados perfeitos que se esvaziam quando o fim de semana acaba.

Uma solidão abalroo-me. Liguei ao produtor realizador que me aturou durante meia hora. Passou e entretanto a amiga actriz chegou. "As relações hoje são assim. Vêm depois de tudo o resto porque o resto é que é importante. Que eu nem sonhasse em me desses mais do que alguns momentos por semana. Que telefonar-te só adiou a tua próxima iniciativa. Eu sei. E cada vez sei menos se quero isto para mim.

Três

Resolvi falar. Para te perguntar o que queres daqui. Fez bem estares um mês sem me pores a vista em cima. Fez, admitiste que tiveste saudades. Não me lembro de toddas as coisas que te disse. Já sabia que, o que me dizes, por norma significa o oposto. Que te vais embora mas deixas sempre uma "anzol" para nos vermos. Assusto-te, concordaste finalmente. Perguntei o que era esse daqui para a frente Não soubeste responder mas lá disseste, a custo, que teria de ser diferente, leve e sem expectativas. Que andavas muito ocupado, não tens disponibilidade para me dar atenção. Disse-te que fui lá para saber se havia alguma coisa entre nós, pois encontrei alguém que me dá conforto. Voltaste ao ar de peixe e ficaste "muito contente por mim". Disse-te que não andava com esse alguém, mas tinha de andar com a minha vida para a frente. E lá fomos falando. Levantaste-te para me fazer uma festa, não tiveste coragem para me dar um beijo. Deixei-me estar e pensei em ir embora.

Estava perplexa com a declaração de amor. Se por um lado a queria ouvir, por outro não fazia ideia do que implicava. Sem expectativas? Com poucas mas com alguma, respondi-te. As relações descomprometidas fazem-se com quem não se gosta.

Disseste que me amas, "estás perdido por mim". Começámos a fazer amor. Dormimos na tua cama abraçados. Foi bom, há muito que não dormíamos assim, um com o outro. Acordaste bem disposto e rebolámos na cama, antes do pequeno almoço. Apareceu a tua irmã com um dos dramas habituais. Tinhas de ir buscar o filhote. Eis que liga a amiga actriz e combinamos lanchar em minha casa. Percebeu logo onde estava.

Vi o teu filhote que, primeiro se fez tímido, mas depois me abraçou. Caiu-lhe um dente. Gosto dele, sinto-o um pouco como um filho adoptado. Fomos dar a volta que a tua irmã pediu. Deixaste-me em casa, desceste, beijaste-me e pedi-te para vires cá ter à noite. Com doçura disseste que não, precisavas de acordar cedo. Até já amor aos bocados.

Dois

Ficámos os dois sentados na mesa aberta para as dez pessoas que entretanto saíram. Eis que dizes que temos de falar, há coisas que ficaram por dizer. Fico estupefacta mas não to mostro. Encosto-me na cadeira para o ouvir. Queres falar.

Analisas os nossos seis meses, falas de andar longe de ti, à procura de te encontrar (não andamos todos?), que te ocupas a fazer coisas e assim distrais-te e não pensas em nada, mas quando pensas, pensa em nós. Dizes que me amas-te, que me amas, mas.. é muito intenso, e tens coisas para fazer... Vais pondo obstáculos mas vais falando de um “daqui para a frente”. Dizes que nós temos um problema. Que no fundo não tens nada para me dizer. Que o que eu devia fazer era cagar em ti.

Foi a segurança que me deu a ouvir-te admitir que me amas que me permitiu dizer tranquilamente: está bem. Quiseste saber o que é que te queria perguntar. Disse que já não fazia sentido. Que fumava mais um cigarro e me ia embora. E tu ficaste a olhar para mim com aquele ar de peixe.

Um

Fui ao cinema com o produtor realizador. Trocámos uns beijos na despedida. Apanhou o último metro, ia para casa fazer um bolo de chocolate.

Deitei-me cedo mas não consegui dormir. Fiz então um disparate, não sei bem como, e enviei-te um falso sms por engano. Respondeste com bom 2010 e mil beijos. Mil beijos. Não sei como, respondi de volta, pedindo até para ligares. Na volta ligou o produtor realizador a caminho do Galeto, ia comprar tabaco. A pé, como sempre. Falámos até ao final da bateria do móvel dele. Fiquei sentada no chão da cozinha sem saber o que pensar. Ligaste. Estavas todo bem disposto, havia um jantar improvisado lá em casa, convidaste-me para ir, pagavas o táxi.

Sem saber muito bem como, dei por a mim a despir o pijama, colocar o chapéu e sair porta fora. Não fazia a menor ideia ao que ia, sei apenas que eram quase três da manhã.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Dois dias depois

Foi bom o fim de ano? Foi. Mulheres giras de mini-saia, boa comida, tinto até dizer chega.

Estava com receio de me perder nos copos. Acho que não. Só mesmo no fim é que penso ter dado seca a alguém. Mas nada de grave, acho.

Dia 1 foi na cama, comer, tv e pouco mais. No finalzinho, um telefonema com a amiga de sempre. Pois, sentimo-nos ambas sozinhas, apesar de rodeadas de amigos. Estávamos ambas tristes, apesar de nos rirmos, conversarmos e dançarmos o fim de ano todo. Soube tão bem o telefonema.

Acabei por te mandar um sms por causa da transferência e com o obrigatório desejo de boa ano novo. Respondeste de imediato: “Beijos, grande 2010. J” . Fiquei com a nítida sensação de que já não há mais nada aqui. Somos passado, ficámos encerrados em 2009. Tenho de querer esquecer-te pois até aqui não quis.

Sinto-me nua. Acordei ainda com a energia muito em baixo. Queria começar a arrumar a casa, a sério, de balde e esfregona na mão, mas não tenho forças. Lavo a loiça e seco roupa no aquecedor e acho que me vou deitar a ver um filme. Estou intoxicada de tabaco e continuo a fumar.

Sei que não vale a pena ligar muito a este estado de espírito semi-derrotista. É só cansaço, mais nada. Convidei por sms o produtor realizador para ir ao cinema, ao cair do dia. Respondeu que me ligava mais logo. Gostava. Queria sair um pouco à rua e distrair-me em frente a uma tela grande. E sim, tenho algumas saudades dele mas sei que ele não é o the one. Provavelmente não existe um the one, sou eu que os invento, tal como te inventei a ti.

Pronto, dia 2, ainda em recuperação de dia 31. No big deal.

31, manhã

Parti um copo e fiz um galo. Ai eu e o vinho! Acordei muito cedo com imagens breves do meu final de noite. Não telefonei a ninguém fora de horas, talvez ao produtor realizador que não atendeu à meia noite e meia. Não é grave.

Debaixo de uma chuva forte apanhei boleia da coleguinha do bom senso para mais uma reunião onde ele escasseia. Está feito.

Fiz as comprinhas do fim de ano, lá consegui lavar a loiça. Não consigo secar roupa. Estou muito cansada da garrafa de ontem. Mas tenho programa com a amiga produtora. Jantar e talvez rua – com este temporal, duvido.

Vou comprar umas cuequinhas pois que o meu stock está todo para lavar ou a secar. Vou transferir-te os 20 euros do carregador. Ainda não sei se te mando um sms a dizer que a fiz e desejar-te bom ano. Se calhar é melhor, não vá ficar a delirar que me ligas ou qualquer disparate assim. E assim nos despedimos. Um amor tão bonito de que restou muito pouco, apenas jogos e palavras trocadas. Sei que já me esqueceste. Eu não, mas hei-de esquecer. Até aqui não quis, acho. Mas foram 5 meses de felicidade para três de tristeza. Não é lá grande média.

Timing

Chuva carregada, a Sic noticias e a crise, edredon e cigarros. Procrastinação. Disposição regular. A aguardar que o ano acabe. Na prática é só mais um dia novo, o seguinte.

Liguei-te, depois de chatear a amiga produtora sobre ligar-te ou não. Ela não estava num dia bom. Eu que visse como poderia ficar, havendo boa energia ou não. Liguei ao produtor realizador antes. Estava no meio de uma açorda.

Liguei-te. Atendeste ao 1º toque, voz amena, sem sorrisos. Andas com o meu telefone no bolso mas não consegues ir ao um indiano arranjar a tecla avariada. Pergunto por ti, pelo filhote, pelo amigo fotógrafo em terras distantes. Conversamos sem pressas, mas não dizemos muito. Rematas que tens de ligar à futura senhoria, tens de mudar de casa até à próxima semana. Desejo-te bom Natal, para te dizer sem dizer que reparei no sms que não mandaste, e bom ano novo. Retorquiste o mesmo. Desligámos.

Esmoreceu, acho que já foi. Fiquei triste mas tranquila. Falei com a amiga de sempre. Para te esquecer é por aqui, para te ter é por aqui. Andas com o meu telefone no bolso. Se me quiseres ver, tens uma desculpa. Fiquei sem saber se tens uma vontade. Voltei tranquilamente à procrastinação. Depois fiz uma carne estufada com limão, açúcar e canela. Uma taça de tinto. Sem quaisquer sentimentos de culpa, permaneço pelo palacete com a confortável sensação de não sentir grande coisa.