Ficámos os dois sentados na mesa aberta para as dez pessoas que entretanto saíram. Eis que dizes que temos de falar, há coisas que ficaram por dizer. Fico estupefacta mas não to mostro. Encosto-me na cadeira para o ouvir. Queres falar.
Analisas os nossos seis meses, falas de andar longe de ti, à procura de te encontrar (não andamos todos?), que te ocupas a fazer coisas e assim distrais-te e não pensas em nada, mas quando pensas, pensa em nós. Dizes que me amas-te, que me amas, mas.. é muito intenso, e tens coisas para fazer... Vais pondo obstáculos mas vais falando de um “daqui para a frente”. Dizes que nós temos um problema. Que no fundo não tens nada para me dizer. Que o que eu devia fazer era cagar em ti.
Foi a segurança que me deu a ouvir-te admitir que me amas que me permitiu dizer tranquilamente: está bem. Quiseste saber o que é que te queria perguntar. Disse que já não fazia sentido. Que fumava mais um cigarro e me ia embora. E tu ficaste a olhar para mim com aquele ar de peixe.