segunda-feira, 28 de setembro de 2009

03.13


Escrevi tudo, apesar de acordar tarde. Fui à festinha, bonitinha, vestida de azul e branco. Portei-me mal um bocadinho, mas a vontade de não ficar até ao fim da festa permaneceu. Foi fixe, foi de amigos.

Cheguei a casa e dei contigo a postar e postar no facebook. Calculo que estejas sozinho e a beber. Não estás no chat, ainda bem.

Deixei um vídeo no meu mural. Conheço bem a música, acho o vídeo lindo, e traduz bem como me sinto, depois de tirar a farda de “bora lá para a frente”. Tenho saudades do meu babe. Muitas.

“O Pedro já não está registado como estando numa relação”

sábado, 26 de setembro de 2009

tardes

Nós

Ontem liguei-te porque a minha colega não acedia à net, aqui em casa. Era uma razão, não uma desculpa. Mostraste-te todo disponível, deste ideias, fizeste saber que estavas com o filhote e passaste-lhe o telefone.

Desliguei. Olhei a minha colega e ficámos as duas sem saber o que comentar. Ligaste outra vez, um pouco mais tarde. Querias saber se tinha resolvido o problema, que estavas a tratar de um semelhante. Fiquei atrapalhada, agradeci, desliguei e ficámos de novo sem saber o que comentar.

Estás de facto com saudades minhas. Muitas. E pronto, lá crio a luzinha ao fundo do túnel que poderás chegar à conclusão de que gostas mesmo de mim. Se estivesses a ler isto, dirias: “ E gosto mesmo... como amiga”. És mau. Não me deixas deixar-te.

Fui ao Facebook. Finalmente ocorreu-te deixar um like nas minhas cronicazinhas. És mau.

Sei que um amigo teu faz hoje uma festa. Não fui convidada. Porque seria? Sou mais uma tua ex. Faço parte de um teu passado.

Ontem, fui de encontro ao presente e saí à noite. Tinha de sair deste passado em que, mesmo que não queira, é o único conforto que tenho. O nosso passado.

Encontrei a amiga distante. Perguntei-lhe se queria que não lhe ligasse mais. “Hum...pois... sim”.

“Ok linda, aproveito e apago o teu número”, respondi. “Não é preciso ser radical”, disse. “Não é ser radical, se não queres que te ligue, para quê ter o teu número?”, perguntei.

Ia-me embora quando sugeriu que fossemos a um espaço novo no Príncipe Real. Fomos. Uma esplanada linda, Lisboa é tão linda. Falámos de politica, e mais uma catrefada de assuntos não pessoais. Fomos ainda ver o Pedro. Disse-me que estava com “um óptimo ar”. Não foi o único.

Depois deixei-a ir para casa e deambulei. A noite está sem graça. A seguir a mais um copo de água com gelo e limão voltei para casa e apaguei o número da amiga distante.

Deitei-me por volta das cinco. Às onze, estava de volta ao presente.

sem


Não queria escrever aqui textos lamechas, de auto comiseração. Escrevi alguns que não cheguei a publicar. Sem nós, é sem complicações, sem lamechices, para a frente. De frente.

Nesta semana, fui a uma exposição de fotografia, trabalhei, pouco mas trabalhei, tomei conta da casa, enviei alguns currículos.

Tomei consciência também de que os meus ordenados podem começar a falhar, o que implica que a minha vida ande toda para trás. Tenho de ir a tribunal e mais uma série de merdas que estão a rebentar todas, ao mesmo tempo.

Ando meio anestesiada, faço para me manter de pé e acreditar que tudo tem solução. Não acredito.

Liguei-te antes de ontem com a desculpa de um carregador para saber do filhote. Estavas muito ocupado e disseste que ligavas depois. Ligaste. Com tempo. Contaste-me a curta conversa com ele, queixaste-te da tua árdua vida em criar o filhote e não tiveste pressa em desligar. Nenhuma. Não perguntaste por mim.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Esparguete fininho"


O pai em conversa pediu-me para lhe fazer uma, apesar de lhe ter dito que aletria faço para as crianças.

Aletria é aquele doce que está sempre nos almoços e jantares intermináveis de família. E tanto está na mesa dum rico como na de um pobre. Não passa de uma massa, leite, açúcar ou leite condensado, ovos, canela, uma casca de limão, uma pitada de sal, outra de amor.

Aletria não se despeja em pires ou tacinhas, como às vezes se faz com o arroz doce. Não, aletria é uma travessa grande, polvilhada com canela e tradição. Aletria é para todos. É família.

Respondi ao pai que não, mas que faria uma ao filho, o pistautira, como gosto de lhe chamar. Na primeira vez, disse-o com um ar falsamente indiferente, com uma pontinha de provocação, de nariz empinado. Resultou. Devolveu-me, alto e em bom som: “não me chames pistautira”! E disfarçou um sorriso.

Num plano que saiu trocado, fiz duas travessas de aletria em casa e levei uma para casa do pistautira que foi para a cama cedo. O arroz de polvo do anfitrião não deixou qualquer espaço para sobremesas. Já depois de café e cigarros fui prová-la. Repeti, mas às escondidas na cozinha. Depois saí à rua e fui deambular com amigos.

Nunca soube se tinham comido e gostado, não houve um único comentário, o que, apesar de fingir que não, como qualquer cozinheiro amador que se preze, beliscou o meu ego culinário.

Mas, no final de outra jantarada, o pistautira perguntou ao pai se ainda havia “esparguete fininho”. O pai sorriu, disse que não, que já tinha acabado, que estava muito boa. O pistautira olhou para mim, fez o seu melhor ar “ó pra mim tão querido e amoroso” e perguntou: fazes outra? Recapitulei rapidamente a agenda e respondi-lhe que amanhã seria difícil, tinha muito trabalho, mas que faria noutro dia. Ele não disse mais nada e seguiu para a brincadeira com o primo.

Na manhã seguinte, consegui despachar pequenos almoços, loiça, banho e afins até às onze. Consegui até beber uma bica e comprar o jornal! Depois despachei emails, telefonemas e apontamentos. Sairia de casa às 3 e fazia o trabalho todo seguido até às seis. Depois havia futebol.

Mas quando fui ao frigorifico para preparar o almoço lembrei-me do pistautira. Olhei para o relógio, eram vinte para as duas. Havia aletria, leite, limão e canela. Saí, com passo apressado para o minimercado da esquina que estava fechado. Desci à mercearia chinesa, sem sorte alguma. Hora de almoço. Uma transeunte sugeriu-me o LIDL, que era logo ali ao virar da esquina. Não era, era mais um bocadinho. Comecei a pensar que me iria atrasar e apressei o passo. Trouxe uma lata de leite condensado, das pequenas, meia dúzia de ovos e voltei num ápice.

Uma panela com água a ferver, com uma pitada de sal. Pus ao lume outro tacho com o meu almoço e separei as claras das gemas. Quatro gemas. Pus a Elis Regina a fazer-me companhia e mandei para dentro da panela seis novelos de aletria. Separei-os com calma, com a ajuda de um garfo e assim que se soltaram, desliguei o lume e escorri a massa. Abri a lata de leite condensado, e tive pena de não ter o pistautira ali ao lado para a rapar. Há coisa mais gira do que ver um puto a fazer isso? A seguir, depois de engolir uma colherada de leite condensado de que não abdico, despejei-o para a panela, enchi por duas vezes a lata de leite condensado com leite, misturei tudo e acrescentei duas cascas de limão. Pus a aletria, o lume no mínimo e a colher de pau a rodar na panela. Não pode haver pressa a fazer este doce. Tem de se ter paciência, tem de haver vagar. Fiquei por ali, com a Elis a cantar “o nosso mais que perfeito está desfeito” e a pensar no pistautira. Nas frases bonitas que disse só a mim, só para mim. Nas nossas partidas, que só nós é que achávamos um piadão. Nos nossos segredos, selados com um piscar de olhos. Sacana do pistautira, é giro que se farta! Inteligente, por isso mesmo, com um sentido de humor malandro.

Tirei a aletria do lume, pois há muito que o leite fervera, a rir-me com o seu paladar de adulto e apetite devorador. O pistautira come bem, mais do que muitos crescidos que conheço, gosta de tudo e, comigo, rendeu-se aos cornichons, aqueles pepinos pequeninos, avinagrados, crocantes, deliciosos, saborosos, irresistíveis.

Dei tempo à aletria para arrefecer, só um bocadinho, e juntei as gemas batidas. Despejei-a numa travessa redonda, depois de lhe retirar as cascas de limão. Na mão coloquei canela que fui espalhando aleatoriamente. Quando, ainda miúda, fazia arroz doce com a minha mãe, tinha um verdadeiro prazer em humedecer a borda de um cálice de vinho do porto, passá-lo por canela e fazer desenhos com bolas por cima do arroz, tipo carimbo.

Agora adulta, gosto de polvilhar até cobrir completamente a travessa. Tem de saber a canela.

Almocei, arrumei a cozinha e antes de sair deixei-lhe um bilhete: “Foi feita meio à pressa mas com carinho”. Assinei e acrescentei uma nota: “Coloquem no frigorifico”.

Eu, gosto mais de aletria fria.

À mão de semear: massa de aletria, sal, leite condensado, canela em pó, leite, cascas de limão, ovos


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Divórcio

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Dançar em qualquer lado


O melhor


Paz

Acabei a conversa com a Ana a falar sobre amores que findam. De facto, a minha senhoria é mesmo uma gaja porreira. Apanhei o amigo gay e lá fui à festa de aniversário do meu Lux. Em noite de aniversário, o Lux não é o Lux de hoje, é o Lux de quem o fez ao longo de onze anos. Mas não vi ninguém que conheci e na cabeça tinha o filhote dele e o amor que se gerou entre nós.

Fiz um esforço para ficar. Fiz bem. Encontrei amigos, tenho uma festa de anos para a semana, ajudei uma amiga bem alcoolizada a vomitar. Acontece, já nos aconteceu a todos. Mas o melhor foi encontrar a minha eterna paixão platónica, o meu Miguel, sem o qual o Lux não tem metade da graça.

Ainda tive um filme no regresso a casa com o vizinho gay, a quem tive de gritar e deixar claro que ia pelo caminho que bem entendesse, o que me fosse mais fácil de fazer, num dia tão difícil. Viemos em silêncio, deixei-o à porta de casa, demos um beijinho de boa noite. A vida dele também não lhe corre lá muito bem.

Não chorei em casa. Escolhi uma música de Múm para me embalar. Comi meia lata de leite condensado, sem culpas.

Foi a primeira noite, desde há muito tempo, que dormi em paz.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Créditos finais

Consegui que me escutasse. Que me escutasse a dor. Mas primeiro, calei-me para o ouvir. Custou-lhe, como lhe é postura. Fez o resumo. Pediu perguntas que não fiz. Falou mais. Dele. Sempre dele, mesmo quando falava de outros. Percebi e perguntei, antevendo as respostas, sobre o vídeo no facebook. Respondeu que foi posto para nós. Aí tive a certeza. De que não gosta de mim. Perguntei sobre a camisa laranja, já nem lhe falei dos beijos nas mensagens. Ele próprio acreditava que foi sem querer, sem intenção. A pensar que não, só pensou nele, nas dúvidas dele, nos sentimentos dele.

Passei então à questão e dei-lhe uma única pergunta: o que sentes por mim? Retorceu-se e torceu-se, mudou de assunto. Dez minutos depois, fi-lo responder, mas sem repetir a pergunta.

Aí, ele pôs as mãos nas pernas, falou com uma voz terna e sincera, como os miúdos que finalmente contou a maldade que fizeram, e disse: tenho muitas saudades tuas.

Houve um peso que se eclipsou do meu corpo, o meu estômago ficou leve, causando-me um prazer físico. Até ele completar a frase: sinto imensas saudades tuas como minha amiga, conheço-te bem, tu conheces-me como ninguém, e tenho mesmo saudades de nós... amigos. Disse-o com um sorriso, com um grande alivio de ter dito uma grande verdade.

Aí resolvi a minha interminável dor. Não tive pena dele mas desapaixonei-me ali, assim que percebi a sua total inconsciência, infantilidade ou alienação do que aquelas palavras me poderiam magoar. Resolvi, de facto, a minha interminável dor.

Ligaram-me de um número que não conhecia interrompendo aquilo que eu chamei um filme de série B. Respirei para ouvir a mensagem de voz que não passava de sons estridentes que me feriram o ouvido mais do que as palavras dele me magoaram.

A partir dali, falei com calma, de coração aberto, sobre corações abertos. Com ternura, sem rancor, falei-lhe dos carrosséis de emoções que, "sem estar a reparar", me fez passar. Das vezes que também eu entrei em pânico, que olhei para ele e só consegui ver defeitos, das vezes que nada senti, mas confiei que, com calma, o meu coração me havia de guiar de volta ao dele. Que fiz mais do que me apaixonar por ele. Investi numa vida com ele e com o filhote.

Falei-lhe da dor que sinto assim que abro os olhos e que me acompanha para todo o lado. Do esforço que fiz para continuar com a minha vida normalmente, porque ela, apesar de mudar 180 graus, tinha de continuar. Que remédio tinha eu, senão o de andar com ela.

Falei-lhe da falta do meu babe que desapareceu sem deixar um bilhete e no lugar dele ficou aquele gajo que só pensa nele. Do que me custou ter estado no domingo, ali, lado a lado durante cinco horas, com ele numa postura automática de gajo porreiro a arranjar-me o computador. Eu, sem saber se, no meio daquela confusão, me queria ou não.

De dar banho ao filhote dessa vez e hoje. Mas hoje, escolhi jantar com eles. Qualquer bocadinho com o filhote é bom. Aliás, era nesse projecto que eu estava a investir. Numa família. Com consciência de que tudo estava a ser muito rápido, mas era uma responsabilidade que abracei e que implicava outra comigo. Queria estar numa família onde se orgulhassem do que faço, do que sou, de ter tempo e disponibilidade para lá estar. De ajudar a educar e amar o filhote, nunca querendo ocupar o lugar de ninguém. Que o filhote me dissera baixinho, enquanto fazia os trabalhos da escola: a mãe é muito fixe mas tu podias fazer de mamã quando eu estou nesta casa.

No fim, olhei-o nos olhos, com ternura e dor. Disse-lhe que descobrira agora que ele não era uma pessoa sensível, ao contrário do que pensava. E que de facto, não gostava de mim. Gostava da energia que sempre lhe dei, da inspiração, na alegria, no apoio, no amor. Tinha saudades disso, não tinha saudades minhas.

E assim fiz as minhas pazes com o rapaz com ar inseguro e simpático que conheci naquele bar fora de horas.

Naquele momento foi claro para mim e partilhei este pensamento com ele: há um mês que tenho a certeza de que não gostas de mim, Hoje, saio daqui, a duvidar disso.

Acendi um cigarro e disse que me ia embora a seguir. Que tinha de andar para a frente com esta minha vida. Que lá teria que beijar mais um sapo, pois ele afinal não era o meu príncipe. Que continuo a acreditar no amor.

Que trabalheira, agora ter de recompor o meu coração partido. Amei-te, ainda te amo, e queria apaixonar-me para a semana, para te esquecer, assim, num ápice. Mas não é tão simples.

Disse que ia à festa do Lux, ele sorriu e disse boa! Não me apetece nada, respondi, mas vou, é a tal trabalheira de ter que andar com a vida para a frente.

Não devia ter dito, mas nesta altura gostar dele já não me sufocava: Se descobrires, no meio da tua incerteza que gostas de mim, seria uma verdadeira parvoíce não correres atrás. Mas será uma maratona e qualquer gajo com olhos bonitos leva 20 km de avanço.

Depois falámos do filhote, de fazer babby sitting. Ele, finalmente comovido com um sentimento que não o seu, brincou: sim, é uma excelente ideia, estou rodeado de família aqui no bairro mas nenhum é lá grande exemplo para o meu filho. E ele gosta mesmo muito de ti.

Eu também gosto muito dele, ele é o melhor de ti, respondi. E é mesmo.

Saí à rua, muito mais leve. Não sei onde ficou aquele peso todo com que entrei.

Estava uma noite de verão. Decididamente ia ao Lux. Antes de ligar ao amigo gay (há melhor companhia?) liguei ao tal numero desconhecido. Era a Ana, a minha senhoria a perguntar pelo mês de renda em atraso.



segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ending

Acordei às 9 horas e esperei até às duas para que ligasses. Tomei café, li o jornal, fiz a horrorosas contas dos kms que me devem. Enrolei cigarros atrás de cigarros. Obriguei-me a fazer uma salada para almoço, sem ter apetite algum. Foi só juntar umas coisitas mas o prato ficou ali na bancada. Finalmente vinhas aí.

Não te dei hipóteses para me deixares falar e argumentar e discutir e acabar contigo. Era mais fácil para ti, não era?

Mais uma vez tive calma, fui ponderada e ouvi, petrificada, dizeres-me olhos nos olhos que não vias futuro para nós. Que a magia tinha acabado, que tinhas muita coisa para tratar na tua vida, que eu já não estava na tua cabeça. Deixei-te falar e disse-te depois, com contenção, da crueldade com que foste dissimulado e fizeste tudo por tudo para que me passasse, me irritasse, me sentisse magoada e te mandasse à merda .Mas devo-me a mim a dignidade de me aguentar. Afinal, apesar de todas as minhas dúvidas e inseguranças, sou uma senhora.

Não sabias o que dizer, fazer, ou como te ias embora para o tal casamento que, quando chegaste, me perguntaste se íamos os dois.

Não resisti a chamar-te babe, a abraçar-te e beijar-te. Mas afastei-te quando te ouvi dizer o quanto queríamos que fossemos amigos.

Olhei para a porta e saíste e eu cai sentada no hall a chorar.


domingo, 20 de setembro de 2009

Felizes para sempre

Nós foi tão bom! Nós foi começar verdadeiramente o dia, só quando nos encontrávamos. O nosso dia.

Nós foi acordar a teu lado e sentir-me logo feliz. Nós é o teu sorriso franco, aberto, lindo. Nós foi sexo, que não podia deixar de ser. Nós foi amor perfeito, feito sem pressa e amor voraz, até não ter mais energia.

Nós foi deixar de olhar para a vida apenas sob o meu prisma, o meu olhar, os meus interesses, sentimentos ou objectivos. Nós foi pensar a vida a dois, até a três. Nós foi sentir-me feliz todos os dias e perder quase o equilíbrio quando havia um problema nesse nós.

Nós foi crescer, como te disse um dia querer. Cresci contigo. Consegui ser ponderada, ter calma quando algo estava mesmo sem funcionar. Porque o melhor de nós foi esse quotidiano que fluiu com a leveza de quem já vive juntos há muito tempo.

Nós foi todos os dias até ao dia que acabou. Sobraram apenas nós, coisas por dizer, escapadelas, desencontros propositados. Pressupostos. Os perversos pressupostos. Mais do que com nós, fiquei embrulhada num novelo com o peso de uma tonelada.

Serve este blog para deslindar esses nós, desfazer esse novelo que me fez perder as coordenadas mas não me fez perder a mim. Não fiquei como estava porque sou uma pessoa diferente. Mesmo que estraçalhada, meio desfigurada, frágil, frágil, continuo a acreditar no amor, na capacidade de ter e viver um amor, na capacidade de ser feliz.

E continuo a querer o pacote todo: um príncipe encantado. De todos os sapos que beijei, tu foste o único que se tornou num príncipe. E fomos felizes para sempre até me dizeres, olhos nos olhos, que não vias futuro para nós. Que consumimos a magia.

Ainda não sei, ainda não consigo perceber se, bem lá no fundo, és um sapo ou o meu príncipe encantado. Sei que te amei, que te amo e, caso não me queiras mesmo mais (pois a esperança ainda por aqui vive, vê lá tu), terei que resolver os meus nós, ser quem quero ser, e acreditar que vou acordar um dia e já não te querer.