sábado, 26 de setembro de 2009

Nós

Ontem liguei-te porque a minha colega não acedia à net, aqui em casa. Era uma razão, não uma desculpa. Mostraste-te todo disponível, deste ideias, fizeste saber que estavas com o filhote e passaste-lhe o telefone.

Desliguei. Olhei a minha colega e ficámos as duas sem saber o que comentar. Ligaste outra vez, um pouco mais tarde. Querias saber se tinha resolvido o problema, que estavas a tratar de um semelhante. Fiquei atrapalhada, agradeci, desliguei e ficámos de novo sem saber o que comentar.

Estás de facto com saudades minhas. Muitas. E pronto, lá crio a luzinha ao fundo do túnel que poderás chegar à conclusão de que gostas mesmo de mim. Se estivesses a ler isto, dirias: “ E gosto mesmo... como amiga”. És mau. Não me deixas deixar-te.

Fui ao Facebook. Finalmente ocorreu-te deixar um like nas minhas cronicazinhas. És mau.

Sei que um amigo teu faz hoje uma festa. Não fui convidada. Porque seria? Sou mais uma tua ex. Faço parte de um teu passado.

Ontem, fui de encontro ao presente e saí à noite. Tinha de sair deste passado em que, mesmo que não queira, é o único conforto que tenho. O nosso passado.

Encontrei a amiga distante. Perguntei-lhe se queria que não lhe ligasse mais. “Hum...pois... sim”.

“Ok linda, aproveito e apago o teu número”, respondi. “Não é preciso ser radical”, disse. “Não é ser radical, se não queres que te ligue, para quê ter o teu número?”, perguntei.

Ia-me embora quando sugeriu que fossemos a um espaço novo no Príncipe Real. Fomos. Uma esplanada linda, Lisboa é tão linda. Falámos de politica, e mais uma catrefada de assuntos não pessoais. Fomos ainda ver o Pedro. Disse-me que estava com “um óptimo ar”. Não foi o único.

Depois deixei-a ir para casa e deambulei. A noite está sem graça. A seguir a mais um copo de água com gelo e limão voltei para casa e apaguei o número da amiga distante.

Deitei-me por volta das cinco. Às onze, estava de volta ao presente.