
sexta-feira, 26 de março de 2010
dia 25

quinta-feira, 18 de março de 2010
Um dia
quarta-feira, 17 de março de 2010
Não me apetece
sábado, 13 de março de 2010
Almôndegas com amor
Chegam a casa dele depois de uma praia ao pôr do sol. Ela quer cozinhar, dar-lhe um mimo a fechar o fim de semana perfeito.
Procura por entre as gavetas do congelador e tira uma embalagem de almôndegas. Senta-se na varanda a apreciar a brisa de uma noite quase de verão. Faz um gesto de cansaço, nota-se que está extenuada.
Ele senta-se a seu lado, finge que não percebe e faz conversa. “Porque não me deixas fazer o jantar e tu ficas aqui a falar comigo”?
Ela hesita mas acaba por anuir e liga o gravador. A música ecoa pela varanda, um dub simpático preenche a cozinha. Acende um cigarro, filtro branco, a lembrar as divas dos filmes noir.
Risse ao vê-lo cortar os alhos, tira a casca ao bocadinhos, com as mãos. Nada diz. Ele passa a cortar a cebola com uma faca grande, num estilo profissional, em fatias finas.
“Não há batatas” comenta e vai à despensa. “Vou fazer arroz de manteiga, os bicos do fogão são demasiados fortes para o arroz frito”. Com um sorriso, ela agradece o poder de decisão enquanto ele despeja um fio de azeite no tacho e acende o lume.
Agora um jazz ligeiro flutua enquanto ele refoga as cebolas e acrescenta tomate cortado aos bocados. Ela percorre–lhe o corpo com o olhar. “Gosto de ti, cozinheiro”.
Ele sorri-lhe, ergue a mão fechada e diz: açúcar, canela, e umas gotas de limão: a perfeita trindade. Ela devolve-lhe o sorriso e estende as pernas por cima da mesa, desnudando os joelhos. Ele acrescenta às almôndegas uma folha de louro, uma pitada de pimentão doce e uma gota de vinho branco. A seguir tira o arroz do lume, põe-lhe uma noz de manteiga, mostra-lhe o tacho e pergunta-lhe se é suficiente. “Mais. Arroz de manteiga tem de saber a manteiga”.
Fumam um cigarro enquanto as almôndegas acabam de cozinhar. Trocam gestos sensuais, beijos fugidos, entrelaçados, molhados.
“Inebriante”, diz ela a seguir à primeira garfada, após uns segundos de silêncio. Ele sorri-lhe com os olhos. Tocam à porta. É o amigo que divide o apartamento com ele.
Saem direitos à casa dela. Deitam-se na cama e beijam-se devagar. Despem-se um ao outro. Moldam-se, enrolam-se, fundem-se.
Fico sentada, imóvel, ao som da musica romântica, até as letras do genérico desaparecerem. Sou a última a sair da sala.
Está um tempo horrível, a chuva traz-me à realidade fria. Chego a casa ensopada. Fervo água e janto umas noodlles chinesas de pacote. Abro o portátil, começo a trabalhar e varro da memória essa história bonita, intensa, com um daqueles finais felizes que só se vêem no cinema.
( Este a olho já foi punlicado há uns tempos, esqueci-me de o trazer para aqui)
Out
A amiga actriz ligou a caminho do mar. Já tinha ligado. Eu que me pusesse a andar e fosse ter com ela e o amigo que me faz rir para a esplanada de frente para o mar. Tinha um sms teu.
Era tarde, precisava mesmo de trabalhar mas fui e fugi do décor dos últimos dias. A caminho avisaram-me de que não iam demorar. Logo a seguir apanhei um acidente no acesso à ponte. Não faz mal, sozinha sou capaz de efectivamente trabalhar. Li o teu sms. Era simpático, até andaste à procura de um fio para me oferecer. Despedias-te com bjs. Respondi que encontrara o fio e agradeci. Despedi-me com bjs e não pensei mais em ti.
Refugie-me do sol de chapa, cumprimentei o mar. Estava tranquilo com um bando de surfistas pelo meio. Uma criança molhava os pés.
Pedi um hambúrguer e a custo escrevi dois textos. O amigo que me faz rir convidou-me para passar pelos ensaios e continuar a trabalhar lá. Houve uma altura em quem pensei em vir para casa. A guitarra, os vídeos, as discussões, as canções, tudo ao mesmo tempo, criavam ruído mas habituei-me a ele. Trabalhei, jantei à borla pois o amigo que me faz rir encontrou dinheiro a caminho do restaurante e pagou a despesa. Continuei a trabalhar.
Depois lembrei-me de guloseimas e combinei com a amiga actriz que diz que vai já já ter a casa mas acabou por ligar às seis. Até fiz mais um texto, escrevi aqui e reli a crónica. A actriz amiga ainda me pediu para lhe ler outras. Que bom.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Clean
No dia seguinte voltei a dormir 13 horas. Saí para comprinhas, voltei ao palacete determinada a trabalhar. Tinha de ser. Mas não foi. Desta vez não me entreguei ao porno. Lavei antes a casa-de-banho toda e, sem pensar muito na trabalheira que ia dar, troquei os móveis, deitei toneladas de papel e tralha para o lixo, lavei paredes, o armário do caixote do lixo, o balde do lixo. Limpezas a sério.
Olhei para o palacete e gostei dele. Senti-me de novo no lar que tem algo de novo. Não andava lá muito confortável com ele, as coisas estavam fora do sítio. Ontem encontrei-lhes o sitio e voltou a haver circulação e espaço. Espaço é essencial. No meio do entusiasmo faltou-me um fio da impressora que tinhas trocado há tempos por outro de 5 metros. Para eu poder estar sentada no sofá a imprimir coisas.
Agora esse fio, é um ramalhete com uma série de voltas, bem à vista na prateleira do meio. Liguei-te naturalmente, sem pensar em nada que não no fio. Não atendeste, aí fizeste-me pensar. Deixe-te fora da cabeça e convidei a nova vizinha para um serãozinho no palacete. Estava sem o puto, a fazer o IRS. Veio logo, ainda estava instalada a desarrumação. Encontrei o fio da impressora e sorri.
O serão tranquilo apesar das guloseimas passou depressa foi agradável e acabou por volta das duas. Porno sucinto e uma embalagem de gelado de nós com raspas de chocolate. Por quatro vezes enchi a tigela das vaquinhas. Foi uma sessão de orgasmos gastronómicos múltiplos. O paladar é como um clítoris, desde que estimulado, é a porta para o prazer absoluto. Perfeito. Efémero. Os orgasmos gastronómicos múltiplos, tal como os clitóricos, são aditivos. Depois de um queremos logo outro. E outro a seguir. O prazer é uma droga. O doutor disse-me que me castigava com o prazer (não foi bem esse o verbo, encontro-o quando falar sobre essa interessantíssima conversa). Dormi umas doze horas.
Hoje foi diferente. Hoje levei o trabalhinho para ao pé do mar.
terça-feira, 9 de março de 2010
Sol frio
Hoje veio o sol. Apesar da luz passei a manhã na cama, devo ter dormido umas treze horas... Mas quando liguei o cérebro fui logo para a rua, esqueci-me até que sol não é obrigatoriamente sinal de calor. Com frio, bebi uma bica no café do bairro e liguei às amigas do costume que não me ligaram nenhuma. Falei com a aniversariante: estou convidada para a festa no sábado. A cabra da produtora marcou e não desmarca um trabalho para domingo de manhã, seguido de leituras de pdf’s. Grande cabra. Actualizei a agenda, marquei algumas entrevistas, não todas as que preciso. Pensei mais do que uma vez no amigo fotógrafo que, metendo os pés pelas mãos, vendeu uma ideia minha que foi aceite, mas entregue à jornalista da casa. Fiquei furiosa, mas cautelosa. O que lhe iria dizer? Que as minhas propostas foram em nome dos dois, as nossas que ele propôs foram em nome dele’, Eu fiz diferente e não há mais conversa. Até que sempre gostei do amigo fotografo mesmo antes de o conhecer. Vendeu-me a imagem de louco, numa das festas da aniversariante, achei piada ao estilo gingão. Depois conheci-o no ambiente dele, rodeado de crianças e amigos, entre eles, o ex. E achei-o um urso de peluche, um lamechas disfarçado de mauzão. Mas atenção. Nesta história a matemática é simples: por uma brainstorming em conjunto ele ficou com três trabalhos, eu.. com dois, sendo que todas as ideias são minhas.
Liguei-lhe à tarde e, atrapalhado disse que ligava mais tarde. Ligou agora, comigo já jantada com take away chinês e arrepios de frio na cama, anunciando que ia ficar sem bateria, que tinha falado com o editor que até me troca o nome, e que o 3º trabalho ia se feito por outra equipa. E depois ficou sem bateria...
Se assim for está bem, não porque ganho alguma coisa por não o fazeres, mas porque te manténs correcto comigo. No entanto, irei certificar-me de que o nome desse fotógrafo não passa de um pseudónimo teu. Aí, serias um bocadinho maquiavélico. Veremos, deixemos a boa onda no ar, pois que preciso de ti para fazer dois trabalhos que quero bem feitos. Alem de que não me apetece nada chatear-me contigo. Até esta querela, tens sido um bom amigo.
Estou com arrepios de frio, penso que é mais uma daquelas gripes psicossomáticas: jornal, artigos, money, social, solidão - gripe. Tenho de gerir as coisas bem sem stress ou esforço desnecessário. Estou sem energia, tenho de a poupar.
Fiz um pequeno artigo para o jornal, devia ter feito mais, mas depois do cigarrinho para rir entreguei-me ao link do break e vim-me duas vezes. Depois fiquei com frio. É uma gripe psicossomática. Já estou enfiada nos edredões. E tomo meio comprimidinho da bela adormecida se for preciso. Quero partir para a vida dos sonhos antes da meia noite. Pretendo estar de volta bem cedo, beber o café na rua, espreitar o jornal e levar de forma rentável o último dia sem marcações. Depois, é sempre a abrir e eu não ando lá muito bem, ao contrário do que parece no facebook. Descansar, dormir, sonhar na altura certa do dia – à noite. De dia, olhos bem abertos. No facebook – chique!. Primeiro porque é bem, depois, para o caso de vires espreitar, quero que vejas o lado melhor, a rir, com amigos. Sempre chique. Sem mostrar um bocadinho que seja do buraco que deixaste aqui.
segunda-feira, 8 de março de 2010
motivos
Depois veio a 2ª versão, a “cereja em cima do bolo” que a sister me quis dar. Era altura agora de o abordar. Estava carente. Saltei da serenidade do luto para a inquietação. Liguei-lhe no dia seguinte para combinar dar-lhe o rancho. Nunca perguntou o que tinha para lhe dar, não quis que fosse com o Henrique presente, enxotou-me da família. Custou-me, não tinha ideia de me fazer convidada, fazia apenas mais sentido ir dar-lhe o taparuer a casa. Fiquei inquieta, sem saber que fazer.
No dia seguinte, a lembrança de dizeres que a nossa relação era destrutiva, a impossibilidade de ir a tua casa, a hora que marcaste para vir à minha sem que tenha sugerido, juntaram-se à falta de vontade de cozinhar para ti um rancho, prato que custa dinheiro e dá trabalho. Para quê? Para o levares no taparuer para o jantar e me dispensares uma hora de atenção? Não, assim não. Se não queres não queres e assim troco a paz da dor do luto pela inquietude que os teus nins me provocam.
Com um simples e seco sms cancelei o encontro sem explicações ou falamos depois. Estou triste e de luto, programei uma queca porque me apetecia mas, na altura, não quis. Parei e fui levá-lo a casa. Estou de luto.
A neura da chuva e o abuso de guloseimas, o ordenado aos bochecos, a chuva persistente e permanente deram-me cabo da energia.
Mas hoje encomendaram-me dois trabalhos para a revista nacional. Estou meio em pânico, com o jornal atrasado mas amanhã tenho uma coisa que não tive hoje para sair da cama: um motivo.
sábado, 6 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Versão 01
Lá soube como vieste de Tenerife. Por versões. A primeira aconteceu por telefone, no dia que consegui a proeza de chegar antecipada uma hora, de manhã, e hora e meia à tarde, aos dois serviços que fiz para o jornal. No parque de estacionamento do protocolo, acendi um charro. Chovia, a rádio estava tranquila, eu também. Foi então que falei com a sister. Num tom terno, como que a descansar-me, contou que tu e tal espanhola eram amigos, que ela tinha namorado, que tiveste muito tempo em casa e sozinho, mas também estiveste na festa rija do Carnaval e tinhas dormido com umas espanholas mas não voltaste encantado com nenhuma. Depois pediu-me para sair de onde estava e falarmos melhor depois. Ficou de cá vir jantar.
Continuei a ouvir a rádio calminha, comi um Bábá para me dar algum ânimo, falei com a amiga de sempre. A sister deixou-me completamente na dúvida se me queria dizer com calma que tinhas fechado o nosso dossier, ou se havia alguma coisa. Dissertámos a questão e concluímos que até para ela foi dúbio,
Já preparava o jantar quando me enviou um sms a desmarcá-lo. Telefonei-lhe, lá perguntei se estavas a fim ou não. Não, disse ela. Perguntei se gostavas de mim. Disse ser óbvio que sim mas que nunca o ouviu dizer tal coisa. Com uma voz terna combinou um chá com bolinhos para a tarde seguinte.
Comprara uma guloseima para nós e fiquei com duas vontades: a de ir dançar mais tarde à caixinha de som, depois de trabalhar, e a de levar a sério esquecer-te, deixar-te ir de vez, fugir de ti, se fosse preciso.
Comi as guloseimas, ouvi música, andei pelo face e masturbei-me até à exaustão com porno. Sem pensar em ti.
