terça-feira, 2 de março de 2010

Versão 01

Lá soube como vieste de Tenerife. Por versões. A primeira aconteceu por telefone, no dia que consegui a proeza de chegar antecipada uma hora, de manhã, e hora e meia à tarde, aos dois serviços que fiz para o jornal. No parque de estacionamento do protocolo, acendi um charro. Chovia, a rádio estava tranquila, eu também. Foi então que falei com a sister. Num tom terno, como que a descansar-me, contou que tu e tal espanhola eram amigos, que ela tinha namorado, que tiveste muito tempo em casa e sozinho, mas também estiveste na festa rija do Carnaval e tinhas dormido com umas espanholas mas não voltaste encantado com nenhuma. Depois pediu-me para sair de onde estava e falarmos melhor depois. Ficou de cá vir jantar.

Continuei a ouvir a rádio calminha, comi um Bábá para me dar algum ânimo, falei com a amiga de sempre. A sister deixou-me completamente na dúvida se me queria dizer com calma que tinhas fechado o nosso dossier, ou se havia alguma coisa. Dissertámos a questão e concluímos que até para ela foi dúbio,

Já preparava o jantar quando me enviou um sms a desmarcá-lo. Telefonei-lhe, lá perguntei se estavas a fim ou não. Não, disse ela. Perguntei se gostavas de mim. Disse ser óbvio que sim mas que nunca o ouviu dizer tal coisa. Com uma voz terna combinou um chá com bolinhos para a tarde seguinte.

Comprara uma guloseima para nós e fiquei com duas vontades: a de ir dançar mais tarde à caixinha de som, depois de trabalhar, e a de levar a sério esquecer-te, deixar-te ir de vez, fugir de ti, se fosse preciso.

Comi as guloseimas, ouvi música, andei pelo face e masturbei-me até à exaustão com porno. Sem pensar em ti.