No dia seguinte voltei a dormir 13 horas. Saí para comprinhas, voltei ao palacete determinada a trabalhar. Tinha de ser. Mas não foi. Desta vez não me entreguei ao porno. Lavei antes a casa-de-banho toda e, sem pensar muito na trabalheira que ia dar, troquei os móveis, deitei toneladas de papel e tralha para o lixo, lavei paredes, o armário do caixote do lixo, o balde do lixo. Limpezas a sério.
Olhei para o palacete e gostei dele. Senti-me de novo no lar que tem algo de novo. Não andava lá muito confortável com ele, as coisas estavam fora do sítio. Ontem encontrei-lhes o sitio e voltou a haver circulação e espaço. Espaço é essencial. No meio do entusiasmo faltou-me um fio da impressora que tinhas trocado há tempos por outro de 5 metros. Para eu poder estar sentada no sofá a imprimir coisas.
Agora esse fio, é um ramalhete com uma série de voltas, bem à vista na prateleira do meio. Liguei-te naturalmente, sem pensar em nada que não no fio. Não atendeste, aí fizeste-me pensar. Deixe-te fora da cabeça e convidei a nova vizinha para um serãozinho no palacete. Estava sem o puto, a fazer o IRS. Veio logo, ainda estava instalada a desarrumação. Encontrei o fio da impressora e sorri.
O serão tranquilo apesar das guloseimas passou depressa foi agradável e acabou por volta das duas. Porno sucinto e uma embalagem de gelado de nós com raspas de chocolate. Por quatro vezes enchi a tigela das vaquinhas. Foi uma sessão de orgasmos gastronómicos múltiplos. O paladar é como um clítoris, desde que estimulado, é a porta para o prazer absoluto. Perfeito. Efémero. Os orgasmos gastronómicos múltiplos, tal como os clitóricos, são aditivos. Depois de um queremos logo outro. E outro a seguir. O prazer é uma droga. O doutor disse-me que me castigava com o prazer (não foi bem esse o verbo, encontro-o quando falar sobre essa interessantíssima conversa). Dormi umas doze horas.
Hoje foi diferente. Hoje levei o trabalhinho para ao pé do mar.