Hoje veio o sol. Apesar da luz passei a manhã na cama, devo ter dormido umas treze horas... Mas quando liguei o cérebro fui logo para a rua, esqueci-me até que sol não é obrigatoriamente sinal de calor. Com frio, bebi uma bica no café do bairro e liguei às amigas do costume que não me ligaram nenhuma. Falei com a aniversariante: estou convidada para a festa no sábado. A cabra da produtora marcou e não desmarca um trabalho para domingo de manhã, seguido de leituras de pdf’s. Grande cabra. Actualizei a agenda, marquei algumas entrevistas, não todas as que preciso. Pensei mais do que uma vez no amigo fotógrafo que, metendo os pés pelas mãos, vendeu uma ideia minha que foi aceite, mas entregue à jornalista da casa. Fiquei furiosa, mas cautelosa. O que lhe iria dizer? Que as minhas propostas foram em nome dos dois, as nossas que ele propôs foram em nome dele’, Eu fiz diferente e não há mais conversa. Até que sempre gostei do amigo fotografo mesmo antes de o conhecer. Vendeu-me a imagem de louco, numa das festas da aniversariante, achei piada ao estilo gingão. Depois conheci-o no ambiente dele, rodeado de crianças e amigos, entre eles, o ex. E achei-o um urso de peluche, um lamechas disfarçado de mauzão. Mas atenção. Nesta história a matemática é simples: por uma brainstorming em conjunto ele ficou com três trabalhos, eu.. com dois, sendo que todas as ideias são minhas.
Liguei-lhe à tarde e, atrapalhado disse que ligava mais tarde. Ligou agora, comigo já jantada com take away chinês e arrepios de frio na cama, anunciando que ia ficar sem bateria, que tinha falado com o editor que até me troca o nome, e que o 3º trabalho ia se feito por outra equipa. E depois ficou sem bateria...
Se assim for está bem, não porque ganho alguma coisa por não o fazeres, mas porque te manténs correcto comigo. No entanto, irei certificar-me de que o nome desse fotógrafo não passa de um pseudónimo teu. Aí, serias um bocadinho maquiavélico. Veremos, deixemos a boa onda no ar, pois que preciso de ti para fazer dois trabalhos que quero bem feitos. Alem de que não me apetece nada chatear-me contigo. Até esta querela, tens sido um bom amigo.
Estou com arrepios de frio, penso que é mais uma daquelas gripes psicossomáticas: jornal, artigos, money, social, solidão - gripe. Tenho de gerir as coisas bem sem stress ou esforço desnecessário. Estou sem energia, tenho de a poupar.
Fiz um pequeno artigo para o jornal, devia ter feito mais, mas depois do cigarrinho para rir entreguei-me ao link do break e vim-me duas vezes. Depois fiquei com frio. É uma gripe psicossomática. Já estou enfiada nos edredões. E tomo meio comprimidinho da bela adormecida se for preciso. Quero partir para a vida dos sonhos antes da meia noite. Pretendo estar de volta bem cedo, beber o café na rua, espreitar o jornal e levar de forma rentável o último dia sem marcações. Depois, é sempre a abrir e eu não ando lá muito bem, ao contrário do que parece no facebook. Descansar, dormir, sonhar na altura certa do dia – à noite. De dia, olhos bem abertos. No facebook – chique!. Primeiro porque é bem, depois, para o caso de vires espreitar, quero que vejas o lado melhor, a rir, com amigos. Sempre chique. Sem mostrar um bocadinho que seja do buraco que deixaste aqui.