Neste fim de semana, fui ver o mar a Cascais com a amiga que sempre esteve por cá nos maus momentos. Está com uma vida difícil e um amor complicado. De seguida dei de jantar à amiga nova e fomos ao teatro ver uma peça dura mas boa.
Deixou-me no Rato, eu a pensar em ir ao bairro mas não me apetecia, estava com fome, tínhamos jantado à pressa.
Liguei ao produtor realizador que estava no metro, mesmo ali perto, debaixo dos meus pés. “Estou entre o não me apetece e o não consigo resistir”. Sorri e encontrámo-nos Marquês. Estava sentado, com dois livros na mão. Gostei de o ver, fiquei contente. Viemos para cá. Enquanto bebemos três litros de chá, (pois voltei ao álcool zero, tem de ser)contou-me a vida quase toda. “Isto é um striptease”, disse. Ouvi-o caladinha, agradeci que fizesse ele as despesas da conversa. Não teve pressa para se ir embora nem eu o mandei. Lá para as seis, convidei-o a dormir comigo sem dormir comigo. Mostrou-se à vontade com isso: nem quer relações e está bem sem sexo (ou qualquer coisa do género). Deitámo-nos com o Fred Astaire a dançar para nós.
Ele não conseguiu pregar olho, eu senti-me bem nos braços dele. A falta de sono dele levou o meu. Às duas por três dei-lhe uns beijos e ele resistiu. Não beija por aí além mas, mesmo assim, tenho vontade de lhe dar assim uns beijos, meio roubados, meio oferecidos. Lá para as oito decidimos tentar. Tentámos.
Um homem entrou dentro de mim e não eras tu. Lembrei-me de ti mas isso não me impediu de o abraçar e continuar. Parámos a meio, nem sei muito bem porquê. Mas gostei de parar. Não estava a ser nada de especial, gosta de uma posição que tu gostas, e descobri que não tem um sexo por maior. O tamanho interessa, apesar de não ser tudo. És mil vezes melhor na cama... por enquanto. Mas, nem foi por isso, gostei de conseguir mas não me apeteceu chegar ao fim, ainda não estou preparada.
Finalmente adormecemos, ele não ficou para o pequeno almoço e vermos juntos se o meu artigo para o jornal nacional tinha sido publicado, como lhe tinha pedido. Dormi profundamente, mas pouco. Ele mandou-me três mensagens, na última dizia que tinha visto o jornal. Continuei na cama, até ter forças para ir ver o meu artigo. Fi-lo numa esplanada onde não havia pasteis de nata. O querido Sr. Miguel atravessou a estrada para me dizer que estava a almoçar do outro lado da rua. Antes, ao telefone, partilhei com a amiga produtora a pequena grande vitória. Aceitaram um dos títulos que sugeri, mantiveram a entrada, não mudaram nada, a não ser coisas de revisão. Atravessei a rua e fui ouvir os problemas de saúde da mulher do Sr. Miguel que estava meio com o coração nas mãos. A vida é dura.
Ele ligou outra vez e eu gostei. Cheguei a casa, mandei sms a amigos e o amigo de sempre até ligou. Tão querido, estava orgulhoso de ter conseguido publicar o artigo.
Em vez de me ficar a babar fui lavar e arrumar o palacete. O produtor realizador convidou-me para um bolo de chocolate que deixou queimar e eu convidei-o para o cinema. Cumprimos o plano e andámos a pé, de braço dado. Vimos o filme leve, divertido, da rapariga que escreveu um blog de receitas, a partir de um livro da maravilhosa e fabulosa Meryl Streep que o escrevera 40 anos antes. Rimos e sai do cinema com fome, apetecia-me uma omeleta. Ainda o convidei, ainda pensou nisso, mas foi sensato, estávamos ambos cansados e foi cada um fazer a sua omeleta para a respectiva casa. Acompanhou-me ao telefone desde o metro até casa. Despedimo-nos. Percebi que ele me devolveu o apetite. Quando estou ao pé dele, tenho vontade de comer. Não sei o que sinto por ele, não me quero envolver com ele, quero antes trabalhar, mas gosto de estar com ele. É onze anos mais velho, já teve as filhas que queria, é do meio do cinema que trocou durante anos para criar as filhas. Tem coincidências contigo que me assustaram um pouco. A timidez, a falta de iniciativa, criar as filhas e outras coisas que não me lembro. Ah, já sei. Estamos a dar-nos muito em pouco tempo e não nos conhecemos de lado nenhum. Mas gosto da companhia dele e quero fazer coisas com ele. Escrever um filme, realizar qualquer coisa, não sei. Mas, de quando em vez, não resisto àquele olhar de puto adolescente que faz e lá lhe dou umas beijocas.
Amanhã tenho de trabalhar para pagar a renda e devem vir cá os meus pais jantar. Vou gostar de os ver, especialmente depois de publicar um artigo num jornal nacional. Estão orgulhosos. Espero que me desenrasquem uns trocos. Para variar, estou tesa e , mesmo assim, pude contar com os trocos que o querido professor me deu no Grémio. Senti-me triste por isso e por falar com o Sr. presidente 10 anos depois. Falei-lhe do blog, queria estar a falar-lhe do livro. Fiz-me convidada para jantar em casa da amiga produtora, tive saudades tuas, pois que só falámos de homens e relações complicadas mas o sono levou-me a angústia. Tenho de cuidar de mim.
Tu, deves estar em Madrid a curtir com as tuas irmãs. Não obstante, vou adormecer com a sensação de que o meu fim de semana está a ser muito mais interessante que o teu e continuo obstinada em não te ligar. Sem fazer grande esforço.