terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Quase fim

Senti saudades tuas todos os dias. Mas, em cada um desses dias, esqueci-me de ti. Fiquei tranquila a ouvi-lo por entre a calçada de Lisboa e a chuva burburinha. Tenho saudades dele. É boa a sensação.

Sim, tenho saudades tuas. Mas só por para momentos. A sábia amiga, depois de saber que se passou um mês sem nos vermos, reparou no timing de nos vermos. E fodermos.. Um mês, parece que foi ontem. Hum, apetece-me, mas estava no automático de não te ver. Dá-me algum gozo, finalmente.

Estou em resto de 2009. Para o reveillon quero jantar com amigos, casa, vinho tinto e depois logo se vê. Depois, depois ano novo, vida nova.

sábado, 26 de dezembro de 2009

à procura da pangeia

pouco.mau sinal.

Eu acredito nele

e mais mar

mar

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

mau de todo

Dormi até tarde, falei uma hora com a minha mãe ao telefone, como se falasse com uma amiga. Falei com uma amiga que me vai mandar erva de Amesterdão. Declinei a sugestão da minha mãe em trazer uns frangos, cometi um pecado e peguei no carro, pois o minipreço é uma merda, e fui ao Pingo Doce. Fiquei com 2 euros. Eles jantaram, trouxeram a despensa atrás e não deixaram uns trocos.

Já tinha ligado ao produtor realizador que me contou o dia dele. “Lá estou eu a contar-te a minha vida”. Disse que ligava depois. Nunca sei como vou estar depois de um jantar com a família.

Correu bem, a jardineira estava maravilhosa, modéstia à parte. Escrevi a crónica sobre ela, ou melhor, sobre eles, mentalmente. Mostrei-lhes as fotos das férias e fiquei com um vazio enorme.

Liguei outra vez ao produtor realizado que já vinha a caminho. Achei piada à iniciativa mas disse-lhe que era atrevido. “É atrevido mas não abusivo”. Gosto das frases que diz.

Pensei em lhe dizer que gosto de estar com ele mas preferia trabalhar, que isto está a ser muito rápido mas que ele me faz sentir bem. Faz.

Acabámos por tocar no assunto e falou mais ele do que eu. Depois saiu a correr para apanhar o último metro. “Posso beijar-te ou não?”. Pôde, gostamos ambos. Depois saiu porta fora e eu meti-me na cama. Não trabalhei nada para o jornal mas não foi um dia mau de todo.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Um dia "à altura"

Neste fim de semana, fui ver o mar a Cascais com a amiga que sempre esteve por cá nos maus momentos. Está com uma vida difícil e um amor complicado. De seguida dei de jantar à amiga nova e fomos ao teatro ver uma peça dura mas boa.

Deixou-me no Rato, eu a pensar em ir ao bairro mas não me apetecia, estava com fome, tínhamos jantado à pressa.

Liguei ao produtor realizador que estava no metro, mesmo ali perto, debaixo dos meus pés. “Estou entre o não me apetece e o não consigo resistir”. Sorri e encontrámo-nos Marquês. Estava sentado, com dois livros na mão. Gostei de o ver, fiquei contente. Viemos para cá. Enquanto bebemos três litros de chá, (pois voltei ao álcool zero, tem de ser)contou-me a vida quase toda. “Isto é um striptease”, disse. Ouvi-o caladinha, agradeci que fizesse ele as despesas da conversa. Não teve pressa para se ir embora nem eu o mandei. Lá para as seis, convidei-o a dormir comigo sem dormir comigo. Mostrou-se à vontade com isso: nem quer relações e está bem sem sexo (ou qualquer coisa do género). Deitámo-nos com o Fred Astaire a dançar para nós.

Ele não conseguiu pregar olho, eu senti-me bem nos braços dele. A falta de sono dele levou o meu. Às duas por três dei-lhe uns beijos e ele resistiu. Não beija por aí além mas, mesmo assim, tenho vontade de lhe dar assim uns beijos, meio roubados, meio oferecidos. Lá para as oito decidimos tentar. Tentámos.

Um homem entrou dentro de mim e não eras tu. Lembrei-me de ti mas isso não me impediu de o abraçar e continuar. Parámos a meio, nem sei muito bem porquê. Mas gostei de parar. Não estava a ser nada de especial, gosta de uma posição que tu gostas, e descobri que não tem um sexo por maior. O tamanho interessa, apesar de não ser tudo. És mil vezes melhor na cama... por enquanto. Mas, nem foi por isso, gostei de conseguir mas não me apeteceu chegar ao fim, ainda não estou preparada.

Finalmente adormecemos, ele não ficou para o pequeno almoço e vermos juntos se o meu artigo para o jornal nacional tinha sido publicado, como lhe tinha pedido. Dormi profundamente, mas pouco. Ele mandou-me três mensagens, na última dizia que tinha visto o jornal. Continuei na cama, até ter forças para ir ver o meu artigo. Fi-lo numa esplanada onde não havia pasteis de nata. O querido Sr. Miguel atravessou a estrada para me dizer que estava a almoçar do outro lado da rua. Antes, ao telefone, partilhei com a amiga produtora a pequena grande vitória. Aceitaram um dos títulos que sugeri, mantiveram a entrada, não mudaram nada, a não ser coisas de revisão. Atravessei a rua e fui ouvir os problemas de saúde da mulher do Sr. Miguel que estava meio com o coração nas mãos. A vida é dura.

Ele ligou outra vez e eu gostei. Cheguei a casa, mandei sms a amigos e o amigo de sempre até ligou. Tão querido, estava orgulhoso de ter conseguido publicar o artigo.

Em vez de me ficar a babar fui lavar e arrumar o palacete. O produtor realizador convidou-me para um bolo de chocolate que deixou queimar e eu convidei-o para o cinema. Cumprimos o plano e andámos a pé, de braço dado. Vimos o filme leve, divertido, da rapariga que escreveu um blog de receitas, a partir de um livro da maravilhosa e fabulosa Meryl Streep que o escrevera 40 anos antes. Rimos e sai do cinema com fome, apetecia-me uma omeleta. Ainda o convidei, ainda pensou nisso, mas foi sensato, estávamos ambos cansados e foi cada um fazer a sua omeleta para a respectiva casa. Acompanhou-me ao telefone desde o metro até casa. Despedimo-nos. Percebi que ele me devolveu o apetite. Quando estou ao pé dele, tenho vontade de comer. Não sei o que sinto por ele, não me quero envolver com ele, quero antes trabalhar, mas gosto de estar com ele. É onze anos mais velho, já teve as filhas que queria, é do meio do cinema que trocou durante anos para criar as filhas. Tem coincidências contigo que me assustaram um pouco. A timidez, a falta de iniciativa, criar as filhas e outras coisas que não me lembro. Ah, já sei. Estamos a dar-nos muito em pouco tempo e não nos conhecemos de lado nenhum. Mas gosto da companhia dele e quero fazer coisas com ele. Escrever um filme, realizar qualquer coisa, não sei. Mas, de quando em vez, não resisto àquele olhar de puto adolescente que faz e lá lhe dou umas beijocas.

Amanhã tenho de trabalhar para pagar a renda e devem vir cá os meus pais jantar. Vou gostar de os ver, especialmente depois de publicar um artigo num jornal nacional. Estão orgulhosos. Espero que me desenrasquem uns trocos. Para variar, estou tesa e , mesmo assim, pude contar com os trocos que o querido professor me deu no Grémio. Senti-me triste por isso e por falar com o Sr. presidente 10 anos depois. Falei-lhe do blog, queria estar a falar-lhe do livro. Fiz-me convidada para jantar em casa da amiga produtora, tive saudades tuas, pois que só falámos de homens e relações complicadas mas o sono levou-me a angústia. Tenho de cuidar de mim.

Tu, deves estar em Madrid a curtir com as tuas irmãs. Não obstante, vou adormecer com a sensação de que o meu fim de semana está a ser muito mais interessante que o teu e continuo obstinada em não te ligar. Sem fazer grande esforço.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

gente bonita


Fiz baby-sitting à sereia loirinha. Jogámos poker para crianças.

Quando finalmente falei com a mãe, disse-me que tinha mais era de lutar por ti. Porque é raro duas pessoas amarem-se. Ok. Tomei a decisão de não te ligar, tão determinada como a de não pegar no carro.

No dia seguinte houve a exposição do amigo boa onda. Estive para não ir e ficar para aqui a lamentar-me. Mas a actriz querida, por telefone, deu-me um pontapé para sair à rua. Saí de legs de pijama e tudo. Belo dia. Visitei o amigo gay que se disponibilizou a conduzir à exposição. A caminho de casa, na tasca cibernauta, o Sr. Miguel ofereceu-me laranjas e batatas. Já em casa a amiga produtora ligou, convidou para ir até lá. Estava com o filhote que me vai explicar quem é o pai Natal, um artigo para o jornal. Estava preguiçosa, era apertado para depois o vizinho gay me apanhar. Mas quando desligámos percebi que me devia mesmo dar ao trabalho, e ir vê-la. Não se desperdiçam oportunidades para passar bons bocados com os amigos.

Deliciei-me com a entrevista, comi uma sopa substancial e, de duas, passámos a ser três, depois, quatro e ainda chegou mais um. Conversa e vinho tinto. Produção, cinema, televisão, docs. Que bom ter amigos.

Deixei essa festa e fui com o vizinho gay para a exposição. Que estava muito gira mas com pouca gente. O artista tinha ido jantar. Encontrei gente de sempre e pessoas que não via há anos. E a feiticeira black, linda de morrer, poderosa. Classe. E ainda a amiga do sul, com quem me rio permanentemente. Falei-lhe de ti, mas falei sem ansiedade alguma. E falámos de muitas outras coisas. Da vida dela. Estou convidada par o fim de ano. Que bom ter, a esta altura, um convite delicioso para uma passagem de ano. Há um ano, descobri que tinha comprado um carro ilegal e caiu-me uma gripe fulminante, instantânea.

A festa acabou às três, e estava eu tão animada, ligada. Arranquei o realizador produtor que “nunca conheceu ninguém como eu” da cama. Foi giro, arrastei-o depois para o reggae, puxei-o para dançar só porque ele “não dança”. E dançámos e espetei-lhe uns beijos bem dados, que me souberam muito bem. Seguimos para a casa dele, cor de rosa por fora, branca por dentro e comemos uma feijoada feita pela mãe. Falámos mal do cinema português. Desafiou-me a escrever uma sinopse para um projecto dele. De uma cena de cama, com gente da nossa idade. Adormeci no sofá, fui vestida para a cama dele mas depois lembrei-me que não queria acordar ali. E fomos de braço dado, por aquele bairro cheio de casas coloridas, debaixo de uma chuva miudinha que estreava a manhã, apanhar um táxi. Já em casa, ficámos a falar ao telefone, com uma cervejinha a rematar. Gostei do namorico.

Amanhã vou ao Grémio Literário.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Eu amo, tu amas

O filme foi um poema visual e musical. Não me distraiu o pensamento. Voltei ao palacete. Não consegui arrumar a casa nem ficar sozinha. Liguei à actriz querida que me convidou para ir à galeria de um amigo nosso. Estava ansioso, disperso em mil coisas, como lhe é característico. Mas parou para fazer um sorriso grande.

Fiz um esforço para falar, dar ideias e resisti a ligar-te.

No caminho para casa, agradeci que a amiga querida não fizesse perguntas, apesar de me perceber a tristeza nos olhos. Falou dela, gostei de a ouvir, rimos, como nos é habitual. Somos ambas leão, disse ela que percebe de signos.

Escrevi um pouco, já com um comprimidinho da bela adormecida.

Não te ligo mais. Vais ficar mesmo sem saber de mim. Através deste blog, de amigos, telefonemas e visitas por causa do Big, consegues ficar descansado. Assim consegues amar-me e viver sem me ver.

Vais sentir a minha ausência. Ou me esqueces ou vens atrás. Não vens, eu sei.

Sei também que é a única maneira de te esquecer.

Tentei rever o dia anterior. Faz tudo tanto sentido. Quando te mostras indiferente, estás interessado, quando dizes que vais embora, estás a pedir para ficar. No mesmo dia em que soubeste que tens de mudar de casa, vieste namorar comigo. Estou triste. Acho que também te amo.

domingo, 6 de dezembro de 2009

A mesa

A pessoa bonita que sou ficou à espera que aparecesses com a mesa. E apareceste. Montaste-a, todo prestável como sempre és. Ofereci-te lanche e aceitaste. Estreámos a mesa. Falaste muito de ti, como é costume. Andas a fazer coisas novas, estás a deixar de fumar, andas a namorar contigo. Pelo menos, vendeste-me essa ideia. E eu senti-me pequenina ao pé de ti. Falei-te do artigo, das crónicas, que confessaste nunca ler, dos leitores assíduos, dos homens que mato na passagem quando saio à noite. Nada te mereceu grande comentário. Falaste mais de ti e agarraste-te ao Big. Ensinaste-me mais umas coisas, não estavas com pressa de ir embora. Estavas bem sentado a meu lado no sofá. Deixaste à vista este blog mas só percebeste que era o meu tal blog pela minha reacção. Pois...

Decidi ir ao cinema, não podia ficar para aqui, a pensar na morte da bezerra, depois de saíres. Tendo o não como garantido, convidei-te. Aceitaste, escolhemos o filme. Fizeste um programa para jantar e até propuseste ir ver as luzes de Natal na cidade mas estava demasiado trânsito. Jantamos, passeamos, vimos brincos para a tua sobrinha de dez anos e mergulhámos no Tetro. Lindo Francis Ford Coppola, lindo Vincent di Galo. Comovemo-nos, discretamente.

Primeiro não, mas depois convidaste-me para um copo. Decidimos vir ao barzinho daqui. Passámos por casa e decidiste que ias embora, outra vez. Nada disse. Depois do cigarrinho afirmei que já me tinha produzido e portanto tinhas de me levar a beber o tal copo. Anuíste.

Falamos imenso, falaste de ti, da tua ex cota. Continuas a achar que ela foi a melhor coisa que te aconteceu, apesar do mal que te fez. Fodeu-te mesmo a cabeça. Lá para o 3º vodka falámos de nós. Confirmaste que ficas contente quando te ligo, quando ouves a minha voz. Disseste que nunca me ligarás.

Sei que te comoveste, mais do que uma vez, ao longo da conversa. Não me lembro de tudo o que falámos, lembro-me que continuas numa de culpa e impunidade. Lembro-me que te disse para não meteres o filhote ao barulho quando tiveres outra apaixonada na tua vida. (Falámos tanto do filhote, da nossa relação a dois, a três, de familia). Disseste que o meterás ao barulho outra vez, pois não queres abdicar de nada. És tão egoísta.

Viemos para casa, já enamorados. Confessámos que não conseguimos ainda dormir com mais ninguém. De novo no palacete, anunciaste outra vez que ias embora. Quando nos despedimos, começámos. Os nossos beijos são mesmo bons, são mágicos. Já me tinhas dito no bar que nunca amaste ninguém como me amaste a mim. Disseste-o convicto de novo, disseste-o com amor. E, melhor do que o sexo (pois continuas a não dar-me um orgasmo) foi o sofá. A alegria. A maneira como disseste que era bonita. Foi aí percebi que me amas. E adormecemos.

Não senti que tenhamos dormido juntos, tive vontade de me masturbar, mas não o fiz. Dormi mal, acordei muitas vezes e, como sempre que durmo contigo, acordei cedo. Continuaste enrolado no edredão para não me tocares. Para sair desse nim, fui buscar o pequeno-almoço, comprei o Público e calculei que irias pensar que aquilo era tudo para ti. Não, era para mim. Sentámo-nos à mesa, estavas de volta ao teu ego e querias fugir daqui o mais depressa possível. Confessaste isso. Pedi-te o domingo. Disseste que tinhas coisas para fazer, precisavas de pensar e vais ter de começar à procura de casa. Pedi-te para nos despedirmos daquela tua cama onde tantas vezes fizemos amor. Disseste que nos falávamos e saíste a correr. Mexo contigo. Muito. Amas-me.

Não fiquei desesperada, fiquei desiludida mas precisava de saber se, no meu intimo, estava certa. Estou, amas-me como nunca amaste ninguém. E sim, isso assusta-se.

Percebi que não podia ficar aqui sozinha. Liguei à nova amiga, vou ao cinema. Escrevi a um amigo para ir a Barcelona. Não sei se vou arranjar dinheiro mas, se ele me der guarida, arranjo maneira de ir. Preciso de perspectivar, de ver que o mundo é imenso e que não posso passar a vida a ajudar a vida dos outros e a deixar a minha para trás.

Não vais ligar e não vai fazer tanta mossa como poderás pensar. Finalmente disseste que sou especial. Talvez um dia queiras amar-me e eu já não esteja por cá. Sei que contas com isso.

Estou de luto e não vale a pena tentar dormir com estranhos.

Mais não

Acordei mesmo triste. Triste porque queria ter dormido com ele. Era ideal: mais velho, descomprometido, visivelmente encantado comigo, culto, bom conversador e de uma timidez bonita.

Fiquei por aqui, levei ainda com o filme do taxista que veio cá devolver o dinheiro e falei uma hora ao telefone com a irmã (a vida é de facto irónica) que me explicou melhor a confusão que é essa tua cabeça. Uma coisa é bonita de ver: meteste-me na tua vida, nos teus amigos e os mais próximos ficaram a gostar de mim. Até ela.

Mas nem ela me tirou o sentimento de solidão que me assolou. Ontem o palacete foi mesmo isso, uma casa gigante onde me senti pequenina, minúscula, sozinha.

Peguei na merda do carregador que dizes que vens cá buscar e depois nem vens nem me atendes o telefone. E fui. Não estavas, nem a querida amiga produtora, que é tua vizinha, estava. Nem a tua querida amiga gráfica, outra que tem sido uma querida, parece que somos amigas desde há muito, estava. E nem a outra amiga, que mora mesmo a teu lado, estava. É que encontrei uma mesa na rua, mesmo ao pé da tua porta que vai mesmo bem aqui para o palacete. Pedi ao sr da garagem para a guardar. Irei hoje buscá-la.

Deambulei pelo bairro, telefonei-te mais do que uma vez. Ou estavas desligado, ou não atendeste, como gostas de fazer. Como não posso enviar sms, deixei-te mensagens de voz: a 1ª, gravada em casa, pedia-te para me ligares. Queria dizer-te que precisava de te ter por perto. A 2ª, que estava no bairro e tinha o carregador. A 3ª que o deixei no café que frequentas. Depois dessa mensagens, decidi que não falo mais contigo. Não posso, assim nunca mais de esqueço. Se tiver problemas com o Mac ligo para a minha loja ou para os contactos que a produtora tem para resolver essas tecnicidades. Decidi que ia escrever-te um email a pedir o nib, de maneira a que te possa pagar a merda do carregador sem te ver. Não te posso ver mais. Fazes-me mal, com o teu ar satisfeito, a exorcizar a culpa, cada vez que me ajudas. Sabe-te bem, não sabe?

Tomei a decisão e apanhei um táxi, enfiei-me debaixo do edredon. Estava quase a dormir quando ligaste. E eu, depois destas decisões todas, atendi. “Pediste para te ligar...?” perguntas muito descontraído. Liguei, mais do que uma vez deixei-te mensagens. “Ah, então vou ouvi-las”. Foi só para te dizer que deixei o carregador no café. Tchau. Desliguei e enfiei-me debaixo do edredão. E acordei hoje com o mesmo desalento.

Liguei à tua amiga que ficou de me ajudar com a mesa, liguei à minha que não atendeu e, adivinha lá a quem liguei a seguir. Pois, e não atendeste. Era mais prático seres tu a trazer a mesa, está ao lado de tua casa e eu não tenho de sair daqui... Liguei depois ao meu querido vizinho gay que disse que sim, que ia lá comigo. Depois, depois ligaste de volta. E eu... atendi. Pedi-te ajuda, despachaste-me, mas que sim senhora me trazias a mesa, mas que voltarias a ligar. Falaste com um ar indiferente, ficaste zangado, provavelmente, com o telefonema de ontem. Expliquei que tinha de saber se vinhas ou não pois já pedira a outra pessoa. “sim, sim, mas agora tenho um telefonema por fazer, já te ligo”.

Sou mesmo masoquista. Estou por aqui, sem vontade alguma de sair do edredon. Mas terei que sair, arrumar a casa, pôr-me bonitinha. Pensei em te dizer isto e aquilo mas nada te vou dizer. Mas não te quero ver mais.

Para o caso de leres este blog, pois desconfio que o descobriste nas vezes que vieste cá ver o Big, espero que tenhas apreciado a escrita, que, mais uma vez te tenha elevado o ego, pois sempre te fiz isso de uma maneira que ninguém fez. Isso vai chegar ao fim, tal como a minha penitência contigo. Sou uma pessoa bonita, demasiado bonita para ti.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sexo proibido


Esta merda de natureza aos altos e baixos é tramada. Por natureza não quero ou consigo andar na linha, na normalidade, regularidade, continuidade. Tenho uma puta de alma de artista e nem sequer tenho grande arte.

Estou ansiosa, o editor não me disse nada de nada. Ontem estive à cumbersa com o meu querido Sr. Miguel. Não sei como é que a conversa foi parar à família e acabei por lhe contar aquela tragédia. Ficou tão revoltado...

Eu fiquei frágil, frágil e acabei por convidar online o realizador, fã das minhas crónicas, para sair. Tipo, sim ou sopas. E lá fomos. É como pensava, educado, mais velho e tímido, muito tímido, fiquei descansada. A meio da noite decidi. Pois és mesmo tu, é mesmo hoje. Mas não foi. Quando era para ser, recolhi-me e, assim que ele saiu muito educadamente, fiquei num pranto.

Claro que esta angústia toda, estes sentimentos ao rubro, devem-me em grande parte à copofonia dos últimos dias. Não posso esticar-me nessa área e tenho-o feito. Depois fico um farrapo. Vamos fechar essa porta. Mas ela não fecha este amor, ou necessidade de amor. Nem sei se é de ti que gosto ou do amor que vivi contigo. Da minha parte foi amor, da tua, deve ter sido mais uma peça de lego que é essa tua cabeça de puto a quem a cota da tua ex-mulher fodeu por completo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Um pequeno grande dia

Acordei com a senhora do seguro do carro a dizer que está em cima da sacana da outra seguradora que não se decide a pagar-me o arranjo. Foi ainda na cama que tomei café e fumei uns cigarrinhos ao telefone com a secretária simpática que tem os contactos de toda a gente. A seguir vi no email o resto das respostas do anão que até estavam engraçadas. Deu para ver que se esforçou. Ai que menino bonito. Falei com a mamã, com a amiga actriz que é uma querida, comi um canja, fui comprar chá de Lúcia-lima e sentei-me serenamente no palacete arrumadinho a escrever.

Já tinha o texto na cabeça. Concentrei-me e eis que o editor me envia um email a perguntar pelo artigo e eu a escrevê-lo tranquilamente, sem stresses exacerbados.

Fiz uma pausa para comprar uns bolinhos (ai aqueles de doce de ovos com amêndoas!), fumei um charrinho e continuei.

Terminei às 19.30 e eis que me liga o professor que ia dar uma aula, mesmo aqui ao lado. Jantámos um crepe de fugida e trocámos uns piropos. Estava com saudades de o ver, confesso.

Fui a casa do vizinho gay que me pôs a ler o texto. Gostou. Mais um cigarrinho e casa comigo.

Estou mais cansada do que pensava e amanhã tenho de ir de comboio fazer um serviço do jornalito.

Depois é limar o artigo e enviar. Ainda não vi as fotos. E só vou ficar contente quando o vir publicado. Ah, e é verdade - mal me lembrei de ti hoje.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Eles


Entropia, eis a palavra certa para a minha vida. As coisas começam a acontecer em catadupa mas, no fim, passou-se muito pouco e eu perdi muito tempo e energia.

Estou na última fase da odisseia do anão. Porque não separei o trabalho do lazer, levei com o filme de um tacanho, armado em estrela de cinema, que me ia deitando por terra a oportunidade da revista. Tenho de saber mais e não deixar que pessoas pequenas me fodam a vida profissional.

Nessa odisseia, a actriz fez tudo o que pode e não pode junto ao anão e, como lhe habitual, fez-me ver como as pessoas são, como funcionam. Sem ela, duvido que tivesse conseguido. O professor desdobrou-se em contactos para uma alternativa, escutou-me, amparou-me, como tem feito sempre. Ensinou-me que não se desiste, vai-se de outra maneira. A produtora que , não obstante os seus problemas do coração, escutou-me, ligou-me e escutou-me e ligou-me. O Reis escutou-me e escutou-me, deu-me objectividade, uns mimos e um orgasmo. Vai fazer a revisão, o que me dá uma enorme segurança. O vizinho gay tem sido a minha companhia nas saídas culturais, o meu motorista, o meu “maior fã”, como diz, e mais um a fazer-me ver como devemos funcionar com as pessoas. Hoje deu-me uma árvore de natal feita por ele. Linda, colorida. E ainda o Sr. Miguel. O querido Sr. Miguel, a sua sabedoria e alegria. E o ex que foi o salvador do Big e ainda me quis oferecer o carregador, reabrindo uma ferida que começava a cicatrizar. E o querido melhor amigo dele, fotógrafo, que me deu toda a força, fez tudo para que o nosso trabalho resulte e ainda ficou embaraçado quando lhe disse que me devia ter apaixonado por ele em vez do ex. E devia.

Hoje tenho a cabeça em água porque não resisti ontem em aliviar a pressão nos copos . Correu bem, encontrei o meu primo preferido e pessoas que me apreciam. Podia não ter corrido.

Mas amanhã, vou fazer aquilo para que estas pessoas todos se esforçaram: um grande artigo sobre um gajo tacanho. Sei que vou conseguir, tenho tudo o que preciso: amigos a torcer por mim.