segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Eu amo, tu amas

O filme foi um poema visual e musical. Não me distraiu o pensamento. Voltei ao palacete. Não consegui arrumar a casa nem ficar sozinha. Liguei à actriz querida que me convidou para ir à galeria de um amigo nosso. Estava ansioso, disperso em mil coisas, como lhe é característico. Mas parou para fazer um sorriso grande.

Fiz um esforço para falar, dar ideias e resisti a ligar-te.

No caminho para casa, agradeci que a amiga querida não fizesse perguntas, apesar de me perceber a tristeza nos olhos. Falou dela, gostei de a ouvir, rimos, como nos é habitual. Somos ambas leão, disse ela que percebe de signos.

Escrevi um pouco, já com um comprimidinho da bela adormecida.

Não te ligo mais. Vais ficar mesmo sem saber de mim. Através deste blog, de amigos, telefonemas e visitas por causa do Big, consegues ficar descansado. Assim consegues amar-me e viver sem me ver.

Vais sentir a minha ausência. Ou me esqueces ou vens atrás. Não vens, eu sei.

Sei também que é a única maneira de te esquecer.

Tentei rever o dia anterior. Faz tudo tanto sentido. Quando te mostras indiferente, estás interessado, quando dizes que vais embora, estás a pedir para ficar. No mesmo dia em que soubeste que tens de mudar de casa, vieste namorar comigo. Estou triste. Acho que também te amo.