Fiz baby-sitting à sereia loirinha. Jogámos poker para crianças.
Quando finalmente falei com a mãe, disse-me que tinha mais era de lutar por ti. Porque é raro duas pessoas amarem-se. Ok. Tomei a decisão de não te ligar, tão determinada como a de não pegar no carro.
No dia seguinte houve a exposição do amigo boa onda. Estive para não ir e ficar para aqui a lamentar-me. Mas a actriz querida, por telefone, deu-me um pontapé para sair à rua. Saí de legs de pijama e tudo. Belo dia. Visitei o amigo gay que se disponibilizou a conduzir à exposição. A caminho de casa, na tasca cibernauta, o Sr. Miguel ofereceu-me laranjas e batatas. Já em casa a amiga produtora ligou, convidou para ir até lá. Estava com o filhote que me vai explicar quem é o pai Natal, um artigo para o jornal. Estava preguiçosa, era apertado para depois o vizinho gay me apanhar. Mas quando desligámos percebi que me devia mesmo dar ao trabalho, e ir vê-la. Não se desperdiçam oportunidades para passar bons bocados com os amigos.
Deliciei-me com a entrevista, comi uma sopa substancial e, de duas, passámos a ser três, depois, quatro e ainda chegou mais um. Conversa e vinho tinto. Produção, cinema, televisão, docs. Que bom ter amigos.
Deixei essa festa e fui com o vizinho gay para a exposição. Que estava muito gira mas com pouca gente. O artista tinha ido jantar. Encontrei gente de sempre e pessoas que não via há anos. E a feiticeira black, linda de morrer, poderosa. Classe. E ainda a amiga do sul, com quem me rio permanentemente. Falei-lhe de ti, mas falei sem ansiedade alguma. E falámos de muitas outras coisas. Da vida dela. Estou convidada par o fim de ano. Que bom ter, a esta altura, um convite delicioso para uma passagem de ano. Há um ano, descobri que tinha comprado um carro ilegal e caiu-me uma gripe fulminante, instantânea.
A festa acabou às três, e estava eu tão animada, ligada. Arranquei o realizador produtor que “nunca conheceu ninguém como eu” da cama. Foi giro, arrastei-o depois para o reggae, puxei-o para dançar só porque ele “não dança”. E dançámos e espetei-lhe uns beijos bem dados, que me souberam muito bem. Seguimos para a casa dele, cor de rosa por fora, branca por dentro e comemos uma feijoada feita pela mãe. Falámos mal do cinema português. Desafiou-me a escrever uma sinopse para um projecto dele. De uma cena de cama, com gente da nossa idade. Adormeci no sofá, fui vestida para a cama dele mas depois lembrei-me que não queria acordar ali. E fomos de braço dado, por aquele bairro cheio de casas coloridas, debaixo de uma chuva miudinha que estreava a manhã, apanhar um táxi. Já em casa, ficámos a falar ao telefone, com uma cervejinha a rematar. Gostei do namorico.
Amanhã vou ao Grémio Literário.