quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Paz

Acabei a conversa com a Ana a falar sobre amores que findam. De facto, a minha senhoria é mesmo uma gaja porreira. Apanhei o amigo gay e lá fui à festa de aniversário do meu Lux. Em noite de aniversário, o Lux não é o Lux de hoje, é o Lux de quem o fez ao longo de onze anos. Mas não vi ninguém que conheci e na cabeça tinha o filhote dele e o amor que se gerou entre nós.

Fiz um esforço para ficar. Fiz bem. Encontrei amigos, tenho uma festa de anos para a semana, ajudei uma amiga bem alcoolizada a vomitar. Acontece, já nos aconteceu a todos. Mas o melhor foi encontrar a minha eterna paixão platónica, o meu Miguel, sem o qual o Lux não tem metade da graça.

Ainda tive um filme no regresso a casa com o vizinho gay, a quem tive de gritar e deixar claro que ia pelo caminho que bem entendesse, o que me fosse mais fácil de fazer, num dia tão difícil. Viemos em silêncio, deixei-o à porta de casa, demos um beijinho de boa noite. A vida dele também não lhe corre lá muito bem.

Não chorei em casa. Escolhi uma música de Múm para me embalar. Comi meia lata de leite condensado, sem culpas.

Foi a primeira noite, desde há muito tempo, que dormi em paz.