Chuva carregada, a Sic noticias e a crise, edredon e cigarros. Procrastinação. Disposição regular. A aguardar que o ano acabe. Na prática é só mais um dia novo, o seguinte.
Liguei-te, depois de chatear a amiga produtora sobre ligar-te ou não. Ela não estava num dia bom. Eu que visse como poderia ficar, havendo boa energia ou não. Liguei ao produtor realizador antes. Estava no meio de uma açorda.
Liguei-te. Atendeste ao 1º toque, voz amena, sem sorrisos. Andas com o meu telefone no bolso mas não consegues ir ao um indiano arranjar a tecla avariada. Pergunto por ti, pelo filhote, pelo amigo fotógrafo em terras distantes. Conversamos sem pressas, mas não dizemos muito. Rematas que tens de ligar à futura senhoria, tens de mudar de casa até à próxima semana. Desejo-te bom Natal, para te dizer sem dizer que reparei no sms que não mandaste, e bom ano novo. Retorquiste o mesmo. Desligámos.
Esmoreceu, acho que já foi. Fiquei triste mas tranquila. Falei com a amiga de sempre. Para te esquecer é por aqui, para te ter é por aqui. Andas com o meu telefone no bolso. Se me quiseres ver, tens uma desculpa. Fiquei sem saber se tens uma vontade. Voltei tranquilamente à procrastinação. Depois fiz uma carne estufada com limão, açúcar e canela. Uma taça de tinto. Sem quaisquer sentimentos de culpa, permaneço pelo palacete com a confortável sensação de não sentir grande coisa.