Entre um peixe espada preto grelhado, um arroz de cenoura e uma couve flor cozida, não conseguimos comunicar. Não sabíamos como estar. Enquanto o refogado do arroz aloirava, escorreguei para ti, no chão da cozinha. Falámos pouquinho. Abraçámo-nos.
Jantamos tranquilos e ficámos pela tv no sofá. “Estás a pensar em ir ao concerto?”, perguntei. Ainda não decidi. Respostas "nim", com uma cama ali à mão, verde, feita de lavado. Mapling e cama. E bolachinhas. O programa ideal para ambos já fartos de cultura e postura.
Respondeste-me com condescendência mais uma vez, a propósito de coisa nenhuma. Tive de responder, não reagir seria anular-me.
Lá tivemos mais uma não conversa, com recordes de silêncio e tudo. Não tugiste nem mugiste. Viemos para minha casa em silêncio. Mandaste-me um beijo com a mão. Sentei-me no jardim. Estava uma noite de Outono bonita. Sem chuva.