segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Instalação

Dormimos muito, abraçados. Acordei-te e saltaste da cama, falaste na enorme fome que tinhas e que querias tomar o pequeno almoço. Continuámos os dois, sem nós, na esplanada com um espelho de água que também conheço, da adolescência. Bonita e tranquila. Implicaste com as interrupções que te fiz à leitura, apesar de minutos antes dizeres que não te importavas.

Falaste da tua agenda, não sabias quando mas tinhas uma reunião de família neste fim de semana , falaste de tudo o que querias ir ver, sem que isso implicasse a minha companhia.

Mencionaste o concerto de hoje para o qual já tínhamos bilhetes. “Ah, afinal incluíste-me na tua preenchida agenda”, brinquei. Disseste-te que não, mas o convite estava implicado.

Perguntaste se queria ir a tua casa ver-te tratar da vida e estender a roupa. Declinei. Deixaste-me em casa, com um até já.

Arrumei a casa toda, telefonei a uma amiga. Sentia-me pequenina, ridicularizada, mas desejada ao mesmo tempo. Tanto acreditava que querias estar comigo como não.

Liguei-te, falaste da instalação que não podias deixar de ir ver, que à praia não querias ir e, que se eu estava com dores de estômago, tu não deixarias de fazer o teu programa.

Lá me pus bonitinha e fomos. Demoraste imenso tempo. Chegados lá, sentámo-nos num banco comprido. Eu de pernas juntas, tu de pernas abertas atrás de mim, abraçados. Os filmes eram uma seca, o momento foi delicioso.