sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Love

Fiz o meu papel no tribunal. Com dignidade, contei-lhes a minha vida, mostrei-me arrependida e pedi perdão. Tinha um palco e tudo, com uma varanda de apoio. Sai depois de marcar os meus dez dedos numa folha aos quadradinhos.

Lembrei-me da caixa e fui direita ao banco. Atrasaram-se a pagar-me o magro ordenado e, com o engano que fiz no caminho, fiquei sem gasolina suficiente para regressar a Lisboa. Triste vida. Telefonei a amigos enquanto explicava a minha situação ao senhor do balcão que pouco ou nada fez para me ajudar. Foi então que ligaste. Pensei não atender mas atendi. Adormeceste ontem no sofá e não apareceste para me ajudar a editar uns vídeos com o meu portfolio. Mas, simpático como és, querias marcar outra data. Disse-te que não valia a pena estava cheia de problemas e tu eras mais um a eliminar. Quase que ficaste zangado, disseste-me para não ser assim. Desligue e voltei ao balcão para ficar a saber que, para me emprestarem 20 euros tinha eu de pagar outros 30. Quase chorei. Liguei-te para te pedir ajuda e , por duas vezes, estiveste ocupado. Mandei-te uma mensagem e voltei ao balcão. Preparava-me para assinar o papel quando o senhor do balcão me disse que me emprestava o dinheiro e que eu depositasse depois na conta dele. Retive as lágrimas, aceitei a bondade do estranho e sai à rua. Ligaste outra vez. Falámos e, a ouvir a tua voz meiga, chorei, disse-te o quanto sentia a tua falta, todos os dias, várias vezes ao dia, Disse-te que não sabia muito onde estava sem ti, sem o teu filhote, sem nós. Disse-te que vesti a farda do “bora lá para a frente” mas, quando a despia só pensava em ti, em nós, na família que estávamos a tentar fazer. Deixaste-me chorar e disseste-me o quanto também sentias a minha falta, o quanto andavas a viver por viver. Tratámo-nos por babe, como sempre nos tratámos, e falamos cinquenta minutos. Disse-te que precisava de sentir o teu cheiro, fazer amor contigo e tu concordaste comigo. Disseste que ias desmarcar o jantar, que me ligavas a seguir. Implorei-te para não mudares de ideias, que não ia aguentar. Disseste que não mudavas. Quando cheguei a casa telefonaste a confirmar. O meu babe apareceu e ia finalmente estar com ele.