Começou bem o dia ontem, lá cumpri os objectivos mínimos dos mínimos. Falei com o meu querido Miguel, o meu enfermeiro preferido. Desabafou, falou de um amor que não quer partilhar a vida dele, com três filhos, com interesses, com ele, um dos homens mais bonitos que conheço.
“ No fundo, isto resume-se a uma questão: se precisar, a quem é que eu ligo às três e meia da manhã ?”.
Falou mais e mais, até disse asneiras. Estamos a tornarmo-nos amigos. “No fundo, o que interessa são as relações, é a partilha”.
Marquei o press para amanhã de manhã. Deambulei pela angústia de não saber como começar a ir atrás dos meus sonhos. Mas estive bem disposta, positiva e essas coisas todas.
Obriguei-me a fazer uma quiche, lembrei-me daquela outra, quando ficaste cá com o filhote. Dei por mim, na cama, entre tu e ele, a pensar que, de facto, a vida dá-nos mais do que pedimos. Também nos tira mais do que queremos.
A noite, já menos quente, trouxe-me a solidão. Fui até ao café do bairro. Entre conversas sobre a eleição do presidente da república e a manutenção do jardim, fiquei a sós com o meu querido sr. Miguel. Vamos à praia amanhã, cedinho.
Adormeço com a minha música preferida do álbum do Rodrigo Leão.