10º ano. Saias rosa e blusas brancas, sapatos a condizer. A vizinha original. Que fumava e andava com o grupo de amigos do irmão mais velho que tomava a bica no café.
Depois, debaixo das arcadas, no túnel do prédio às riscas, fumávamos cigarros e gastávamos conversa.
O Anica. O Anica era o gajo que fica calado e depois sabe tudo sobre tudo. Um líder discreto. O Anica sabia muita coisa, era culto.
Tratava-me sempre por princesa, queria saber da minha vida, dos meus pensamentos.Às vezes, dava-me a exclusividade da sua atenção. Os olhos dele brilhavam, quando falava comigo, não com aquele brilho de enamorado, mais de encantado. O Anica fazia-me sentir uma princesa.
Crescemos e o Anica teve uma série de confusões com a namorada primeiro, depois com os amigos. Perdi-o de vista.
Nesse tempo, deixei de ser beta e passei a ser vanguarda. Adormecia à noite com a poesia dos Smiths.
Obrigada pela viagem.