
Foi cinzento o dia. Falei com muita gente sobre problemas e problemas, tratei da renda, da conta do café, fiz o jantar, pois que não ando lá a comer muito bem.
Liguei-te, primeiro para o telefone fixo, depois para o móvel. “Olá é a Sónia, calculo que não tenhas ainda perguntado ao teu pai sobre aquela questão. Não vale a pena, eu já encontrei uma estratégia. Obrigada. Beijinhos”. Pronto, está encerrado. Não tenho nem tens desculpas para ligar.
Lá tive que ir à tomada de posse da presidente da câmara, constipada e bem agasalhada. Vi e fotografei os presidentes, liguei ao Reis e fugi para aquela cozinha no sexto andar.
(Quanto mais conheço políticos menos gosto deles, dos protocolos, das reuniões, dos fatos parolos, da cambada de assessores que ganham quatro vezes mais do que eu).
Falei com ele, perspectivei, relativizei, até consegui ser optimista. Saiu de mim o cinzento escuro. Falámos de outras coisas, da nova direcção do Público, do misteriosamente “famoso Reis”. Rimos e fumámos mais uma. Ainda tive a sorte de uma massagem. Tão bom. Gosto tanto de ti Reis.
Que nem uma menina bem comportada entreguei a carta ao sr. policia. Que, não dizendo, disse que sabia que seria tentada a pegar no carro. Não condenou nem concordou. Entendeu.
Sai sem a carta e conduzi para casa. Fiz um chá de alecrim, limão e gengibre e pus-me a ouvir Smiths. Tomei um Benuron. Amanhã cedo tenho de ir à loja do cidadão.