
Ainda não consegui resolver nada. Mesmo assim acordei cedo para o ilustrador voluntário vir cá ajudar-me a fazer o blog das crónicas. Tão querido.
Tomei café com o vizinho gay e percebi o quanto estou irritada. Cheguei a casa, tive um ataque de choro e adormeci. Acordei com sintomas de gripe. As gripes em mim são de facto psicossomáticas.
Decidi fazer a minha última viagem legal até casa do Reis. Tem me aturado como ninguém, especialmente para alguém que tem da vida uma perspectiva muito crua. Escuta-me sempre, dá-me sempre apoio. Gostou do blog das crónicas que, apesar dos incentivos, não tenho tido a menor vontade de escrever.
O Sr. Policia disse-me que se não tinha o número do processo não podia receber a carta mas também que “não vinha nenhum mal a este mundo” se a entregasse amanhã, que eu fosse da parte no horário da noite que ele estaria lá.
Também não me apetece escrever sobre sem nós. Fiquei de facto amargurada contigo, com a indiferença que mostraste nos últimos telefonemas. Andar a dormir contigo aos sopapos, só me fez amargurar mais o que sinto ou senti por ti.
Ai tanto que me amavas, ai tanto que me desprezas.
Estou engripada de facto e só quero dormir. Amanhã tenho de me mexer.
Passei pelo facebook. Passas dias sem postares, normalmente só adicionas amigos. Hoje, no entanto, anunciaste que vais a um concerto. Por baixo desse post uma Lola clicou um like. Lola deve ser a tua amiga espanhola com quem te fartaste de foder em Cádis e vieste de lá um homem novo. Pouco depois conheceste-me.
Fiquei cheia de ciúmes e apercebi-me o quanto era ridículo senti-los. Já não somos nada um ou outro e, como fizeste questão de mostrar, nem amigos. Querias ser meu amigo, antes de voltares a dormir comigo e me tratares como a coisinha mais desinteressante que conheceste.
Pois a tua vida continua, nada melhor de uma velha amiga para te por a energia em dia. Se calhar não é nada disto e estou a fazer um filme. Não interessa. O que interessa é que me confrontei hoje que já não andas a lamber as feridas (alguma vez o terás feito?). A ser verdade, espero que fodas muito, sem preservativo, como gostas, e apanhes uma infecção qualquer. Sei que é brejeiro este sentimento mas só agora é que me lembrei de novo o quanto me trataste mal e magoaste.
“Nunca ninguém me tratou tão bem como tu”, disseste-me mais do que uma vez. Big mistake, o que tu gostas mesmo é que tratem mal, deve ser um complexo que te vem do teu pai para quem, aos teus olhos, nunca conseguiste ser um grande homem. Aos meus olhos também não.