sábado, 6 de fevereiro de 2010

Menos

Tenho receio de escrever ou antes uma preguiça transcendental. Afundo-me, assim, do dia para noite, em dias recheados de nada, em noites recheadas de ocaso. Contrariei o álcool 0, andei a deambular por aí com uma energia eléctrica que não me pertence. Lá tive os meus anjos da guarda.

Choro ao acordar e cada acordar é em si mesmo um martírio.

Não tenho dinheiro para a renda (como fui eu cometer esse disparate), não acho graça ao palacete nem a mim. Continuo ocupada com jantares, conversas sobre gajos e não aspiro ser nada.

Penso em ti, pois dessa forma não penso em mim. E, mesmo a pensar em ti, sei que penso em alguém que não existe.

Depois do fim de semana com o puto do skate, voltei a vê-lo numa exposição que afinal não foi. Não me ligou nenhuma, não me olhou nos olhos nem se despediu. Não me contacta no Face como fazia. Não sei porquê. O meu ego ficou beliscado, dava-me jeito um puto de sorriso arisco a galantear-me. O meu coração ficou intacto pois que está preso a um babe que não existe. Há 4 meses que estou presa a um sonho de quase seis. E pronto, foi esse o sentido da minha vida.

Fui ao cinema para não pensar, não sentir. Saiu-me um filme de merda com bons actores. Aos tempos que, quase sempre que vou ao cinema, vou para desocupar a cabeça. Costumava ir para a ocupar.

Já meti outro comprimido da branca de neve. Quero dormir. Quando acordar sei que devo ir nadar à piscina, arrumar a casa, fazer contas e perspectivar soluções, escrever o post para a Susie, ir ver o mar com o amigo que vive do ouro lado da ponte, escrever mais uma crónica para um livro que nunca irei editar, mudar os móveis da sala.....

Hoje quase que paniquei por estar sozinha mas o pânico é ainda maior com os outros.

Estou doente, triste, tenho de ir ao médico mas também não tenho dinheiro. Não tenho dinheiro, sonhos, ambição e, com esta atitude, facilmente deixarei de ter amigos. Yap, os dias maus são como os bons, também passam.