
Olá professor,
Recebi a sua carta azul. Obrigada. Muito obrigada pela generosidade. Ela permitiu-me ter hoje um dia enorme de resolução de problemas. Começou com um telefonema para o meu médico a marcar uma consulta. De seguida fui ao mecânico para o 1º round de arranjos no carro. Ligou-me a senhoria quando estava no banco e foi compreensiva em esperar pelo desconto do cheque. Consegui chegar a tempo de ir buscar o novo Mac, branquinho, de qualidade acima da média. O revendedor da Aple convenceu-me a fazer o esforço de pagar o IVA mas ficar com dois anos de garantia. É esse o destino do artigo que escrevi para o jornal I que irei receber no final do mês.
Graças à sua carta, passo a ter em condições duas ferramentas de trabalho: o carro e o computador. São mais do que motivações para arregaçar as mangas e lutar mais um bocadinho por mim. Foram imprevistos que me deixaram numa posição tão frágil, é certo, mas computadores e carros avariados são imprevistos que fazem parte da vida. Da minha, sou eu que tenho de ser responsável por eles.
A sua ajuda foi preciosa e muito generosa, de amigo. Sei que lhe custa, pois o dinheiro custa a todos a ganhar. Obrigada pelo empréstimo. Pagar-lhe-ei como for conseguindo. Muito obrigada pela tranquilidade que sinto no preciso momento em que lhe escrevo, pelo alivio de ir falar com o Dr. Jara no dia 18, por não estar só. Não ando lá muito bem, e, infelizmente, reconheço os sintomas da tristeza, uma velha conhecida. Mas, precisamente por os conhecer, sei o que tenho de fazer para não a deixar acomodar-se. E o professor não me podia ter dado melhor motivação: acredita em mim, quando eu duvido. Obrigada, assim deixa-me obrigada a provar que tem razão, que mereço ser ajudada.
Quanto ao seu “egoísmo”, compreendo e respeito a sua sabedoria, queria apenas que percebesse que não lhe propus nenhuma troca ou negócio. Os amigos ajudam-se, trocam afectos, sem facturações. Mas pronto, respeito e admiro a sua atitude.
Sei que sou uma sortuda em o ter como amigo, sei que hoje estou tranquila porque me ajudou muito, com muito.
Espero que não se feche totalmente nessa conchinha e quero que saiba que estou à distância de um telefonema a qualquer hora do dia ou noite, por causa de qualquer coisa. Se precisar de falar, desabafar, rir, chorar, falar mal do Sócrates ou do Sporting.... ligue-me. Os amigos servem é para as ocasiões.
Continua em aberto o convite para provar os meus cozinhados. Não desapareça, gosto muito de si. Mais do que pensa.
Espero que esteja recuperado da intervenção e com a moral em cima. Tem de ser, não é?
Mais uma vez, obrigada, tome lá um beijo na bochecha: Chuack!
PS: Ocorre-lhe algum tema para a revista da fundação?